A presidente da Fundação Municipal de Saúde (FMS), Leopoldina Cipriano, defendeu nesta terça-feira uma maior integração entre os entes federativos e reforçou a necessidade de ampliação do financiamento da saúde pública para garantir o funcionamento adequado da rede assistencial em Teresina.
Durante entrevista concedida após a inauguração da nova Central de Diagnóstico, a gestora afirmou que os desafios enfrentados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) passam pela falta de integração dos sistemas de regulação e pelo subfinanciamento das ações e serviços de saúde.
Segundo ela, a capital piauiense atende uma demanda que ultrapassa seus limites territoriais e recebe pacientes de todas as regiões do estado.
“Teresina não atende apenas a sua população. Atende os municípios do território Entre Rios e, na prática, recebe pacientes dos 224 municípios do Piauí. Isso gera uma carga muito grande para a rede municipal”, afirmou.
Leopoldina destacou que a Fundação Municipal de Saúde tem buscado ampliar a oferta de serviços e integrar programas federais para melhorar o acesso da população aos atendimentos especializados. Como exemplo, citou a expansão do serviço de cuidado integrado, que passou de cerca de 300 consultas registradas anteriormente para aproximadamente 12 mil atendimentos.
Para a presidente da FMS, um dos principais entraves é a falta de integração dos sistemas de gestão e regulação do SUS, situação que dificulta a identificação precisa da demanda existente.
“Sem integração dos sistemas, não conseguimos ter um retrato real das necessidades da população. É preciso organizar os fluxos e compartilhar informações para que os serviços funcionem melhor”, declarou.
A gestora também voltou a defender uma reorganização da rede hospitalar existente antes da construção de novas estruturas. Ao comentar a discussão sobre a reabertura do pronto-socorro do Hospital Getúlio Vargas (HGV), ela afirmou que a prioridade deve ser fortalecer as unidades já instaladas.
“Mais do que construir novos equipamentos, precisamos estruturar melhor aquilo que já existe e reorganizar os fluxos de atendimento”, disse.
Segundo Leopoldina, o Hospital Getúlio Vargas possui potencial para atuar como retaguarda do Hospital de Urgência de Teresina (HUT), ampliando a capacidade de atendimento da rede pública.
A presidente da Fundação Municipal de Saúde também chamou atenção para a questão do financiamento da média e alta complexidade. De acordo com ela, Teresina arca com grande parte dos custos dos serviços que atendem pacientes de todo o estado.
“O SUS é tripartite e precisa da participação dos três entes. A união de esforços entre Governo Federal, Estado e Município é fundamental para garantir um sistema sustentável e eficiente”, afirmou.
Leopoldina concluiu defendendo que o debate sobre a saúde pública seja conduzido de forma técnica e responsável.
“Precisamos discutir soluções, integrar os serviços e fortalecer o SUS sem transformar a saúde em disputa política. O foco deve ser o atendimento da população”, concluiu.
