Indígenas Guarani Kaiowá relatam violência e ameaças pós-eleição em MS

PF investiga tentativas de assassinato e envenenamento de água

Comunidades indígenas Guarani Kaiowá no Mato Grosso do Sul registraram uma série de incidentes violentos e ameaças após o resultado das eleições presidenciais. Relatos incluem tentativas de assassinato e a grave acusação de envenenamento da água potável. O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) aponta que, desde sábado, 24 de setembro, pelo menos cinco mortes de indígenas na região estão sob investigação.

Matias Benno Rempel, coordenador do Cimi em Mato Grosso do Sul, destacou que as intimidações durante o período eleitoral foram frequentes. Ele descreveu a circulação de veículos pelas terras indígenas e agressões com o objetivo de gerar pânico e desencorajar o voto. Rempel ressaltou, contudo, que a violência contra a população Guarani Kaiowá é uma realidade constante, e que os eventos recentes, embora em evidência, são parte de um padrão de ataques por milícias rurais que se intensifica em períodos eleitorais.

Diante da gravidade das denúncias, a Fundação Nacional do Índio (Funai), o Ministério dos Povos Indígenas (MPI) e a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) formalizaram pedidos de investigação ao Ministério Público Federal (MPF) e à Polícia Federal.

Entre os casos em apuração está um atropelamento intencional de um indígena em Coronel Sapucaia, cidade na divisa com o Paraguai. Dados da Apib indicam que seis indígenas Guarani Kaiowá foram assassinados em Mato Grosso do Sul entre 2022 e 2026. Paralelamente, uma ameaça de contaminação da água em retaliação ao voto em Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está sendo investigada pelo MPF.

Um áudio atribuído a um funcionário da prefeitura de Tacuru sugere o uso de veneno na água para eliminar indígenas, com a frase: “ponha (sic) veneno na água, (vamos) matar essas praga na água”. Ricardo Terena, coordenador jurídico da Apib, informou que a dificuldade de acesso à água na região, suprida por carros-pipa, intensificou o medo e a não utilização da água por parte das comunidades após a divulgação do áudio.

O MPF de Mato Grosso do Sul concedeu um prazo de 24 horas para que a prefeitura de Tacuru se posicione sobre a veracidade dos áudios, a autoria das ameaças e as medidas que estão sendo implementadas.

Com informações de: AGBR

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