Greve dos Correios chega ao Piauí após impasse sobre plano de saúde

Trabalhadores dos Correios no Piauí aderiram à greve nacional iniciada às 22h de quinta-feira (10). A paralisação, sem prazo para terminar, foi aprovada após a categoria rejeitar a proposta apresentada pela estatal durante as negociações da campanha salarial 2026/2027.

O Sindicato dos Trabalhadores em Correios e Telégrafos do Piauí (SINTECT-PI) está entre as entidades que aprovaram o movimento. No balanço divulgado pela Findect⁠, todas as 35 assembleias realizadas até o início da mobilização haviam decidido pela greve.

O plano de saúde dos empregados, aposentados e dependentes está no centro do impasse. As entidades sindicais afirmam que os Correios pretendem modificar a condição da empresa como mantenedora do benefício. Para os trabalhadores, a mudança pode afetar o custeio e a estrutura da assistência médica.

As negociações passaram por várias rodadas e tiveram mediação do Tribunal Superior do Trabalho (TST), mas terminaram sem consenso. A categoria também cobra melhores condições de trabalho, preservação de direitos previstos no acordo coletivo e fortalecimento da empresa pública.

No Piauí, o presidente do SINTECT-PI, Edilson Rodrigues, afirmou que os trabalhadores são contrários a medidas que representem perdas para a categoria. “Não aceitaremos retrocessos às custas de quem mais faz sacrifícios para erguer os Correios”, declarou.

Os Correios apresentaram uma versão diferente sobre as negociações. Segundo a estatal, a proposta mantinha 78 das 80 cláusulas do acordo coletivo vigente, assegurava reajuste de 100% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) sobre salários e benefícios e preservava a assistência à saúde dos empregados.

A empresa informou ainda que ativou um plano de continuidade para reduzir possíveis transtornos aos clientes. Entre as providências estão o remanejamento de equipes, o reforço das atividades operacionais e medidas logísticas voltadas à manutenção das entregas. A manifestação, porém, não apresentou o percentual de adesão nem detalhou os possíveis impactos nas agências do Piauí. A posição dos dois lados foi registrada pela Folha de S.Paulo⁠.

A paralisação ocorre em meio à crise financeira enfrentada pelos Correios. A estatal encerrou 2025 com prejuízo de R$ 8,5 bilhões e acumulou resultado negativo de R$ 5,55 bilhões no primeiro semestre de 2026. Paralelamente, executa um plano de reestruturação que inclui redução de despesas, venda de imóveis sem uso operacional, renegociação de contratos e programas de desligamento voluntário.

A Findect afirma que permanece disponível para retomar as negociações. Enquanto não houver uma nova proposta aceita pela categoria, a greve continuará por tempo indeterminado.

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