STF adia em 1 hora a volta da sessão para julgar Moraes. A previsão é de que o julgamento seja reiniciado às 15h.
Flávio Dino e Edson Fachin fizeram questão de trocar abraços e elogios depois da suspensão da sessão.
Edson Fachin suspende o julgamento. Sessão será retomada às 14h.
Gilmar Mendes pede a Edson Fachin que adie o julgamento. Ele sugeriu que os ministros se reúnam para deliberar se devem julgar em conjunto os processos envolvendo Alexandre de Moraes e André Mendonça.
Além disso, propôs, caso os processos sejam juntados, que a distribuição da relatoria seja feita por sorteio entre os integrantes da corte, respeitando as regras do Regimento Interno do STF.
Gilmar ainda pontuou que a Secretaria Judiciária deveria certificar o nome de todos os magistrados (de qualquer tribunal do país) mencionados nas apurações do Banco Master sobre os quais recaiam indícios de recebimento indevido de valores — diretamente ou por intermédio de parentes próximos — sem causa jurídica lícita e demonstrável.
Depois disso, segundo o ministro, seria necessário determinar a abertura de prazo formal para que a PGR (Procuradoria-Geral da República) e os magistrados eventualmente certificados ou citados possam apresentar suas manifestações.

Em meio ao debate, Gilmar Mendes rebateu André Mendonça, mencionando a ocorrência de vazamentos “que eram atribuídos ao gabinete de Vossa Excelência”, e questionou: “Quem é o vazador geral da República? Quem é que vaza? É a Polícia Federal? É o gabinete do André? É a Secretaria do Supremo?”.
Gilmar ainda disparou que reter informações sob sigilo para pressionar ou influenciar outros ministros cria uma “relação de máfia”. “Até a máfia tem ética. É preciso ter decência. Não se comporta dessa forma. É uma atitude covarde.”
Gilmar Mendes chamou a ação envolvendo de “boneco eleitoral” e afirmou que a atitude é “covarde” e “vil”. Em crítica a André Mendonça, o ministro disse que a análise do processo “não pode ocorrer nos termos ditados por alguém que tem desprezado qualquer senso de colegialidade, muito menos em pleno ciclo eleitoral”.
O interesse é evidente, acachapante, extravagante. Evidente que se trata de um pixuleco, de um boneco eleitoral. É disso que nós estamos falando. Sob pena de que o resultado, qualquer que seja ele, nasça marcado pela suspeita de haver servido a alguém. Quando um único integrante do tribunal reúne de ofício e sob sigilo oponível aos seus pares elementos que julga serem capazes de abalar a honra e a posição de outros ministros, e os retém sendo submetidos ao órgão a quem competiria conhecê-los, como ocorreu neste caso, o que se produz não é apenas uma investigação irregular: uma assimetria se produz.
Durante a discussão, Mendonça reclamou que Gilmar teria apontado o dedo na cara dele. “Não aponte o dedo para mim, ministro Gilmar. Não aponte o dedo. Não está falando com qualquer um. Respeite esse tribunal.”
Gilmar retrucou: “Quem não se dá respeito, não merece respeito”. Além disso, Gilmar frisou: “Vossa Excelência não tem a palavra, vai escutar com tranquilidade”.
André Mendonça também tem discussão com Gilmar Mendes.
Gilmar afirmou que “até as pedras sabem que há um inequívoco viés político-eleitoral” na forma como o colega conduziu o processo envolvendo Alexandre de Moraes, mencionando o vazamento de informações e a escolha de datas próximas ao 7 de setembro e às eleições para revelar o caso.
Ao ouvir a acusação de direcionamento político de sua atuação, Mendonça rebateu: “Vossa Excelência está sendo leviano, ministro. Leviano!”.
Na sequência da discussão, Moraes disse que Mendonça “está a serviço de um grupo político que quis dar um golpe nesse país”.
Moraes seguiu com a fala dele: “Quem chamou a Polícia Federal e exigiu que a Polícia Federal colocasse um colega na colaboração premiada? E vamos trazer aqui, presidente, chamar aqui testemunhas que eu vou indicar, não só policiais, advogados. Testemunhas. Eu tenho testemunhas [que afirmam] que o ministro André, em reunião, disse: ‘Peçam isso'”.
Mendonça interrompeu a fala de Moraes: “Isso é mentira”. Moraes, então, desafiou o colega: “Então vamos chamar as testemunhas? Vamos chamar?”. Mendonça retrucou: “Pode chamar quem quiser. Vão mentir.”
12h32 | 15/09/2026
Alexandre de Moraes e André Mendonça batem boca durante o julgamento. “Não há como julgar hoje sem julgar terça. Porque eu pergunto: quem tem medo da Polícia Federal, presidente? Quem tem medo da Polícia Federal?”, questionou Moraes.
Na sequência, Mendonça interrompeu a fala de Moraes e disse: “Não, é questão de medo”. Depois, Moraes rebateu: “Eu não estou perguntando a Vossa Excelência”. Mendonça, então, devolveu: “Mas eu estou lhe respondendo”.
Alexandre de Moraes pede a palavra e critica atuação de André Mendonça. “Tudo o que foi feito, essa investigação fraudulenta contra mim, já começou lá atrás. Não dá para julgar uma coisa sem outra”, disse ele, referindo-se ao processo sobre Mendonça pautado para a semana que vem.
Luiz Fux disse que, embora seja magistrado há 50 anos e integrante do STF há 16 anos, nutrindo histórico respeito pela Polícia Federal, o órgão passou a atuar com evidente desvio de finalidade, trabalhando contra o Poder Judiciário e instrumentalizando pessoas para degradar a Corte. “Nunca se imaginou a Polícia Federal peitar um ministro Supremo Tribunal Federal. E é isso que está acontecendo.”
André Mendonça aproveitou a fala de Fux para também criticar a PF. “Temos hoje uma PF paralela. Uma PF paralela com monitoramento de ministros.”
Gilmar Mendes critica decisão de André Mendonça de afastar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues: “Submeter uma instituição que já vive todos os problemas que tem a este tipo de vexame é de uma falta de noção, de uma gravidade que eu jamais vi”.
Fachin explica que, como os fatos envolviam eventual apuração contra ministro da corte, o juiz natural da causa é o plenário do STF.
Com informações de: R-7
