Fundo eleitoral banca 84% das receitas das principais campanhas no Piauí

Justiça Eleitoral divulgou as receitas, despesas e fontes de financiamento declaradas pelas campanhas nas Eleições 2026.

Os candidatos ao Governo, ao Senado e à Câmara dos Deputados pelo Piauí declararam R$ 85,54 milhões em receitas e R$ 59,39 milhões em despesas contratadas na prestação parcial de contas das Eleições 2026. Desse conjunto de receitas, R$ 72,01 milhões vieram do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, o FEFC. O valor representa 84,2% do total.

O levantamento do Portal Atualize foi realizado com os arquivos disponibilizados pela Justiça Eleitoral e atualizado às 15h20 desta terça-feira (15). Os dados abrangem a movimentação registrada pelas campanhas até 8 de setembro.

As receitas incluem dinheiro e recursos estimáveis, como serviços, veículos, imóveis e materiais cedidos. Já as despesas consideradas no levantamento são valores contratados, que não necessariamente foram pagos até o momento.

O cruzamento considera as candidaturas ao Governo, Senado e Câmara Federal. Os candidatos a deputado estadual não estão incluídos.

Joel lidera receitas e Rafael concentra despesas ao Governo

As 11 candidaturas ao Governo do Piauí registraram juntas R$ 8,99 milhões em receitas e R$ 7,56 milhões em despesas contratadas.

Joel Rodrigues, candidato do Progressistas, aparece isolado na liderança da arrecadação. A campanha declarou R$ 7,15 milhões em receitas, o equivalente a quase 80% de tudo o que foi registrado pelos candidatos ao Palácio de Karnak.

Rafael Fonteles, do PT, aparece em segundo lugar, com R$ 1,57 milhão. Apesar de ter arrecadado menos, o petista lidera com ampla vantagem nas despesas contratadas: R$ 5,26 milhões. Joel declarou R$ 2,11 milhões em gastos contratados.

Depois dos dois primeiros colocados, os valores caem de maneira acentuada. Gisvaldo Oliveira, do PSOL, declarou R$ 97,61 mil; Lúcia Maria, do PSDB, R$ 87,5 mil; Elizeu Aguiar, do Novo, R$ 45,73 mil; Geraldo Carvalho, do PSTU, R$ 27 mil; e Gustavo Feijó, do Avante, R$ 3 mil.

Professor Jurity, Lourdes Melo, Santiago Belizário e Ravenna da Inclusão não apresentavam receitas ou despesas registradas no arquivo consultado.

Dos R$ 7,15 milhões informados pela campanha de Joel Rodrigues, R$ 3,88 milhões vieram do fundo eleitoral. Outros R$ 1,59 milhão foram registrados como recursos financeiros do Fundo Partidário e R$ 1,61 milhão como recursos estimáveis do mesmo fundo.

Entre os maiores repasses aparecem R$ 2 milhões enviados pela direção nacional do Progressistas, por meio do fundo eleitoral, e R$ 1,88 milhão transferidos pela direção nacional do União Brasil, também com recursos do FEFC.

As maiores despesas contratadas pela campanha de Joel são com serviços prestados por terceiros, no valor de R$ 378,4 mil; materiais impressos, com R$ 356,92 mil; realização de eventos, com R$ 329,61 mil; impulsionamento de conteúdo, com R$ 300 mil; e serviços jurídicos, com R$ 200 mil.

Na campanha de Rafael Fonteles, R$ 711,55 mil vieram do fundo eleitoral repassado pela direção nacional do PT. Outros R$ 634,3 mil foram registrados como recursos financeiros de outras origens, além de R$ 224,76 mil em recursos estimáveis.

Rafael declarou R$ 90 mil em doação financeira para a própria campanha e R$ 39,13 mil em recursos próprios estimáveis. Entre os doadores pessoas físicas aparece Flávio Chaib, com R$ 35 mil.

A maior despesa contratada pela campanha petista é com publicidade por materiais impressos, no valor de R$ 1,99 milhão. Em seguida aparecem serviços prestados por terceiros, com R$ 800 mil; eventos de promoção da candidatura, com R$ 637,5 mil; mobilização de rua, com R$ 458,34 mil; e locação de veículos, com R$ 372,03 mil.

O maior contrato individual informado pela campanha de Rafael foi firmado com a Sieart Gráfica e Editora, no valor de R$ 1,99 milhão. Também aparecem a Close Audiovisual, com R$ 800 mil, e a Elétrica Locações e Eventos, com R$ 600 mil.

Tiago Junqueira supera Ciro por apenas R$ 18 mil

As candidaturas ao Senado declararam R$ 13,25 milhões em receitas e R$ 6,89 milhões em despesas contratadas. O fundo eleitoral respondeu por R$ 10,86 milhões, aproximadamente 82% de todas as receitas registradas para o cargo.

Tiago Junqueira, do PL, lidera a arrecadação com R$ 3,84 milhões. Ciro Nogueira, do Progressistas, aparece logo atrás, com R$ 3,82 milhões. A diferença entre os dois é de apenas R$ 18,22 mil.

Marcelo Castro, do MDB, ocupa a terceira posição, com R$ 3,16 milhões. Júlio César, do PSD, aparece em quarto, com R$ 2,20 milhões.

Os demais candidatos declararam valores inferiores a R$ 50 mil. Antônio de Barros Araújo Filho, do Novo, registrou R$ 48,81 mil; Jorge Lopes, do PSDB, R$ 48 mil; Maria Madalena Nunes, do PSOL, R$ 47,25 mil; Francinaldo Leão, do PSOL, R$ 45,5 mil; Danniel Rocha, do PSTU, R$ 18,5 mil; e Antônio José de Freitas Lira, do Avante, R$ 14,91 mil.

Embora ocupe a quarta posição nas receitas, Júlio César lidera as despesas contratadas para o Senado, com R$ 2,51 milhões. Marcelo Castro aparece com R$ 2,25 milhões, seguido por Ciro Nogueira, com R$ 1,46 milhão, e Tiago Junqueira, com R$ 303 mil.

Tiago recebeu R$ 3,8 milhões do fundo eleitoral, transferidos pela direção nacional do PL. Ciro recebeu R$ 1,84 milhão da direção nacional do União Brasil e R$ 200 mil do Progressistas, ambos pelo FEFC. A campanha dele também registrou R$ 1,04 milhão do Fundo Partidário.

Marcelo Castro recebeu R$ 3 milhões do fundo eleitoral repassados pela direção nacional do MDB. O candidato também declarou R$ 30 mil em recursos próprios. Júlio César recebeu R$ 1,85 milhão do FEFC enviado pelo PSD e declarou R$ 220 mil em recursos próprios.

Na campanha de Júlio César, os maiores contratos são para produção de programas de rádio, televisão ou vídeo, com R$ 700 mil; mobilização de rua, com R$ 478,08 mil; e adesivos, com R$ 317,98 mil.

Marcelo Castro contratou R$ 550 mil em produção de programas e vídeos, R$ 500,99 mil em materiais impressos e R$ 219,1 mil em adesivos.

Ciro Nogueira declarou R$ 420 mil em impulsionamento de conteúdo, R$ 216,5 mil em transporte e viagens e R$ 207,48 mil em materiais impressos. Tiago Junqueira registrou R$ 120 mil em serviços contábeis, R$ 78 mil em materiais impressos, R$ 55 mil em eventos e R$ 50 mil em impulsionamento.

Fundo eleitoral representa 89% das receitas para deputado federal

As campanhas para a Câmara dos Deputados concentram a maior quantidade de recursos. Os candidatos declararam R$ 63,31 milhões em receitas e R$ 44,94 milhões em despesas contratadas.

Somente o fundo eleitoral respondeu por R$ 56,34 milhões. Isso significa que aproximadamente 89% dos recursos registrados pelas candidaturas a deputado federal no Piauí vieram do FEFC.

Júlio Arcoverde, do Progressistas, lidera a arrecadação, com R$ 3,28 milhões. Átila Lira, também do Progressistas, aparece em segundo lugar, com R$ 3 milhões.

Na sequência aparecem Mainha, do União Brasil, com R$ 2,95 milhões; Fábio Abreu, do Republicanos, com R$ 2,65 milhões; Samantha Cavalca, do Progressistas, com R$ 2,60 milhões; e Marcos Aurélio Sampaio, do MDB, com R$ 2,57 milhões.

Completam os dez primeiros Emily do Nascimento Santos, do PL, com R$ 2,5 milhões; Ana Flávia Teixeira Fidélis, do Republicanos, com R$ 2,25 milhões; Castro Neto, do MDB, com R$ 2,11 milhões; e Sárvia Karoline Gomes Oliveira, também do MDB, com R$ 2,01 milhões.

Entre os maiores repasses do fundo eleitoral estão R$ 2,90 milhões para Mainha, R$ 2,58 milhões para Júlio Arcoverde, R$ 2,5 milhões para Fábio Abreu, Samantha Cavalca, Marcos Aurélio Sampaio e Emily do Nascimento, além de R$ 2,45 milhões destinados a Átila Lira.

Júlio Arcoverde e Átila Lira também receberam R$ 500 mil cada em outros recursos financeiros transferidos pela direção nacional do Progressistas.

No ranking das despesas contratadas para deputado federal, Castro Neto aparece na primeira posição, com R$ 2,24 milhões. Em seguida estão Jadyel Alencar, com R$ 1,95 milhão; Marcos Aurélio Sampaio, com R$ 1,95 milhão; Emily do Nascimento Santos, com R$ 1,93 milhão; e Samantha Cavalca, com R$ 1,85 milhão.

Também aparecem entre os dez maiores gastos Sárvia Karoline, com R$ 1,84 milhão; Fábio Abreu, com R$ 1,83 milhão; Júlio Arcoverde, com R$ 1,81 milhão; Merlong Solano, com R$ 1,74 milhão; e Átila Lira, com R$ 1,73 milhão.

Dados ainda serão julgados

Os valores foram declarados pelos próprios candidatos, partidos e responsáveis financeiros das campanhas. A publicação na plataforma da Justiça Eleitoral não significa que as contas tenham sido aprovadas ou que as informações já tenham passado por julgamento.

Os dados ainda podem receber atualizações, correções e novas movimentações. A prestação parcial também não representa o custo final das campanhas, que continuará aumentando até a apresentação das contas definitivas depois das eleições.

Da mesma forma, a existência de uma receita, doação ou despesa na base pública não indica, por si só, qualquer irregularidade. A análise da legalidade e da regularidade dos registros será realizada pela Justiça Eleitoral.

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