Fruticultura bilionária: exploração e violação de direitos no campo brasileiro


Estudo da Oxfam denuncia informalidade e adoecimento no setor

A fruticultura brasileira, que movimenta R$ 15 bilhões anuais e posiciona o país como o terceiro maior produtor mundial de frutas, opera em um modelo que, segundo um estudo recente, se sustenta na exploração de trabalhadores rurais.

A pesquisa Dinâmicas do Trabalho Assalariado Rural, realizada pela Oxfam Brasil e pela Molina Consulting, aponta para violações de direitos trabalhistas, descarte de mão de obra e adoecimento como pilares desse setor bilionário, com foco nas cadeias de manga, uva e maçã nos polos do Vale do São Francisco (Bahia e Pernambuco) e na Serra Gaúcha (Rio Grande do Sul).

O relatório critica a forma como o agronegócio de exportação perpetua seu crescimento financeiro, tratando trabalhadores como “insumo temporário” e impedindo qualquer avanço social ou segurança no emprego. Viviana Santiago, diretora executiva da Oxfam Brasil, destacou que a riqueza gerada não é socializada, mas sim construída sobre a vulnerabilidade histórica dos trabalhadores do campo.

A falta de fiscalização adequada em fazendas é apontada como um fator crucial para a continuidade dessas violações. Trabalhadores safristas frequentemente enfrentam jornadas de mais de 16 horas, expostos a condições climáticas extremas no Sul e a longas horas ininterruptas no Nordeste, o que leva à omissão de adoecimentos em registros oficiais e à subnotificação de intoxicações por agrotóxicos.

O estudo ressalta a importância dos sindicatos rurais na defesa dos direitos dos trabalhadores, mas reconhece os desafios que enfrentam devido à alta informalidade, contratos de curta duração e migração sazonal.

A formalização temporária, embora presente, não garante estabilidade, com seis em cada dez contratos encerrando antes do fim do ano em 2024. A mecanização crescente também contribui para a redução de postos de trabalho, impactando significativamente a empregabilidade.

Em um cenário de alta informalidade no agro, onde sete em cada dez trabalhadores atuam sem registro, a pesquisa alerta para um futuro colapso social, especialmente para mulheres negras, que se encontram na base da pirâmide salarial e com menor escolaridade, agravando sua vulnerabilidade.

Com informações de: AGBR

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