Flávio Bolsonaro agradece apoio de Milei e Trump em carta após fuga para EUA

Senador chegou a se declarar “verdadeiro presidente eleito”

Em uma carta divulgada após sua saída do Brasil com destino aos Estados Unidos, o senador Flávio Bolsonaro (PL) expressou gratidão aos presidentes da Argentina, Javier Milei, e dos Estados Unidos, Donald Trump, pelo apoio que teria recebido para deixar o país. Uma versão inicial do documento o identificava como “verdadeiro presidente eleito do país”, termo posteriormente alterado para “líder do Brasil”.

Na comunicação, Flávio Bolsonaro alega, sem apresentar evidências, que as eleições presidenciais foram fraudulentas e manifesta descontentamento com a decisão do ministro do STF Cristiano Zanin de estender o horário de votação.

Essa prorrogação, solicitada pelas campanhas do PL e do PT, resultou em 34.393 votos adicionais, enquanto Lula foi eleito com 64 milhões de votos contra os pouco mais de 59 milhões de Bolsonaro. As declarações de Flávio contrariam o reconhecimento oficial do pleito pelo TSE, pela OEA e por diversas nações, além do próprio PL.

O senador também criticou a determinação do ministro Alexandre de Moraes de apreender seus passaportes pessoal e diplomático, medida solicitada pela Polícia Federal em virtude de investigações sobre lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Flávio é alvo de dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal, um relacionado a suposta lavagem de dinheiro por meio de plataformas de apostas e outro sobre o financiamento do filme “Dark Horse”.

Em sua carta, ele anuncia a intenção de liderar a oposição a partir dos Estados Unidos, assumindo riscos que, segundo ele, parlamentares eleitos não poderiam.

A carta continha erros formais notáveis, como o uso do brasão da República com a grafia “Brazil” em vez de “Brasil” e a denominação “Estados Unidos do Brazil”, nomenclatura descontinuada em 1967.

Flávio Bolsonaro chegou a Miami na manhã de quarta-feira (28), após atravessar a fronteira com a Argentina na noite de terça (27) e embarcar em um voo privado para Guayaquil, no Equador, antes de seguir para os Estados Unidos. Seu irmão, Eduardo Bolsonaro, reside nos EUA desde março de 2025 e havia sugerido previamente que Flávio deixasse o país caso perdesse as eleições.

Eduardo foi condenado pelo STF por articular tarifas impostas pelos EUA ao Brasil, visando impedir o julgamento de Jair Bolsonaro, que posteriormente foi condenado por golpe de Estado.

Na manhã desta quarta-feira (28), o Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, ligado aos democratas, manifestou críticas à concessão de visto a Flávio Bolsonaro pelo governo Trump, comparando o tratamento dado ao senador com a política migratória restritiva aplicada a refugiados de conflitos.

Com informações de: AGBR

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