Epicentro: Fraudes em obras e contratos desviam R$ 250 milhões em Minas

Ação coordenada cumpre mais de 100 mandados contra desvios em obras públicas; veja como a força-tarefa desarticulou o grupo na Zona da Mata//Viaturas da Polícia Civil, que participou da Operação Epicentro para combater fraudes e corrupção em Minas Gerais.
crédito: MPMG / Divulgação

Uma ampla operação conjunta entre o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e a Polícia Civil, batizada de Operação Epicentro, desmantelou uma organização criminosa suspeita de envolvimento em peculato, corrupção, lavagem de dinheiro e fraudes licitatórias na região da Zona da Mata.

As ações, que se estenderam por diversos municípios, resultaram no bloqueio de cerca de R$ 250 milhões em bens dos investigados e na execução de mais de cem mandados judiciais.

As investigações apontam para irregularidades graves na construção do Centro Administrativo de Ubá, obra iniciada em 2022 durante a gestão anterior. Perícias técnicas do MPMG revelaram manipulações no processo de licitação, com a subavaliação de imóveis públicos municipais cedidos à construtora como forma de pagamento.

Tais manobras teriam gerado prejuízos financeiros significativos, além de descumprimentos de normas urbanísticas e ambientais relativas ao parcelamento do solo e à permuta de áreas verdes e comunitárias.

O esquema criminoso também teria direcionado contratos públicos a empresários ligados a agentes políticos. Provas documentais e testemunhais reunidas pelos investigadores indicam que essas contratações fraudulentas incluíram serviços prestados durante o período de calamidade das enchentes em Ubá, em fevereiro de 2026, bem como contratos de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos firmados na administração atual.

A operação também identificou o uso de “laranjas” para ocultar patrimônio e a prática de ameaças e intimidação contra aqueles que se opunham aos interesses do grupo.

Ao longo de três dias específicos, entre 19 e 22 de outubro, foram cumpridos 49 mandados de busca e apreensão e 32 ordens de indisponibilidade de bens em cidades como Ubá, Juiz de Fora, Leopoldina, Visconde do Rio Branco, Divinésia, Belo Horizonte e Congonhas, incluindo a indisponibilização de 24 imóveis negociados pelo município de Ubá.

Entre os investigados estão secretários municipais, ex-secretários, assessores, empresários, pessoas jurídicas e ex-membros do Poder Executivo. A força-tarefa apreendeu ainda veículos, máquinas e outros materiais relevantes para a apuração, cujos nomes permanecem em sigilo.

A operação mobilizou um procurador de justiça, três promotores, sete delegados e aproximadamente 150 policiais e servidores, contando com apoio de equipes do Ministério Público, da Polícia Militar e de unidades especializadas como a Ficco de Juiz de Fora e o GCOC de Visconde do Rio Branco.

Com informações de: Estado de Minas

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