
crédito: Brendan Smialowski/AFP
Os resultados das eleições legislativas de meio de mandato, conhecidas como midterms, que ocorrem nesta terça-feira (3/11) e mobilizam 174 milhões de eleitores registrados, terão um impacto decisivo nos próximos dois anos da gestão de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos.
As pesquisas de opinião indicam uma desaprovação de dois terços da população em relação ao magnata, que chega à metade de seu segundo e último mandato com o risco de se tornar um “pato manco” – termo político para um governante que perde a maioria no Congresso. Sem a possibilidade legal de concorrer em 2028, Trump pode enfrentar um cenário em que a oposição democrata dita o ritmo em Washington pelos próximos dois anos.
Cerca de 50 milhões de americanos já haviam votado antecipadamente ou pelo correio até o final da semana passada, com a maioria se declarando eleitores democratas. Essa movimentação, somada aos prognósticos das pesquisas, sugere um cenário desfavorável ao atual presidente.
Apesar dos apelos finais de Trump e seus aliados, os eleitores parecem orientados por questões econômicas, como a inflação e o custo de vida, agravados pela alta dos combustíveis em um contexto de conflito internacional. Especialistas debatem a extensão da possível derrota republicana.
A vitória democrata é considerada provável na Câmara dos Deputados, e analistas avaliam a possibilidade de que o Senado também mude de mãos, o que aumentaria a vulnerabilidade de Trump, incluindo a abertura de um processo de impeachment. Roberto Uebel, coordenador do Nenam/ESPM, afirma que os democratas visam conter os “avanços autoritários” de Trump, e o impeachment seria um caminho.
A questão, segundo ele, é se o processo buscará a destituição ou servirá para desgastar o governo e o Partido Republicano visando as eleições de 2028. Juliano Cortinhas, professor de relações internacionais da UnB, concorda que um impeachment pode ser aberto, mas a remoção de Trump é incerta. Ele destaca o papel do vice-presidente, JD Vance, e sugere que a oposição pode preferir “sangrar o presidente” por dois anos, prejudicando suas vitórias domésticas e fortalecendo uma candidatura para 2028.
Ana Clara Turci, pesquisadora do Nenam/ESPM, ressalta que, embora a Presidência não esteja em disputa, a força política de Trump sim. Com uma aprovação histórica de apenas 32%, sua liderança, inclusive dentro do Partido Republicano, pode ser corroída, com outros pré-candidatos se distanciando. Ela pondera que Trump ainda poderá usar ordens executivas e o poder de veto, mas a atenção dos parlamentares se voltará para as eleições de 2028, impactando a capacidade de Trump de impor sua agenda nos próximos dois anos.
Em relação à política externa, em especial o conflito com o Irã, especialistas acreditam que uma derrota eleitoral pode levar Trump a focar mais em questões internas, como a economia. Roberto Uebel prevê que, com uma vitória democrata em ambas as casas do Congresso, Trump poderá priorizar temas domésticos em detrimento de agendas externas. Cortinhas, da UnB, observa que Trump carece de um plano claro para a guerra com o Irã e que as eleições terão maior repercussão na política interna.
A pesquisadora do Nenam/ESPM reforça que o principal impacto será na economia e no orçamento, dado que o custo de vida é uma grande preocupação. A conquista da Câmara pelos democratas dificultaria a aprovação de propostas republicanas em áreas como impostos, gastos públicos e imigração, além de intensificar a fiscalização e disputas orçamentárias. Cortinhas considera a derrota eleitoral mais simbólica do que prática, com o objetivo democrata de frear a índole autocrática do presidente e se preparar para a disputa pela Casa Branca em 2028.
Com informações de: Estado de Minas
