
Documentos históricos inéditos, pertencentes ao arquivo pessoal do coronel Cyro Guedes Etchegoyen — uma das principais figuras da inteligência do Exército durante a ditadura militar brasileira (1964-1985) — foram revelados em um documentário que estreia neste domingo (17) no canal ICL Notícias. A produção *Bandidos de Farda*, coordenada pela jornalista Juliana Dal Piva, baseia-se em relatórios secretos, manuais de interrogatório e registros de monitoramento político que comprovam a existência de uma política sistemática de perseguição, desaparecimentos forçados e violência estatal durante o regime militar.

Entre os materiais analisados estão documentos sobre cursos de interrogatório e tortura realizados por oficiais brasileiros no exterior, além de relatórios de espionagem política dos anos 1980 e registros de vítimas ainda não reconhecidas oficialmente pelo Estado. A investigação destaca o papel do coronel Etchegoyen, chefe da contrainformação do Centro de Informações do Exército (CIE) entre 1969 e 1974, como um dos principais articuladores da profissionalização dos métodos repressivos. Estudos históricos o apontam como figura central na consolidação de estruturas clandestinas, como a *Casa da Morte*, em Petrópolis (RJ), onde presos políticos eram submetidos a tortura física e psicológica, desaparecimentos e execuções ilegais.
O documentário também desvenda a participação de agentes clandestinos na repressão, além de militares fardados, e apresenta relatos de violência sexual praticada por agentes do Estado, como casos de estupro documentados e classificados como instrumento de terror e humilhação. Segundo a jornalista Juliana Dal Piva, a produção busca desmistificar a narrativa de que a ditadura foi um conflito entre duas partes equivalentes, demonstrando, por meio de provas materiais, como o Estado estruturou uma máquina de repressão meticulosamente planejada. A investigação, inicialmente publicada em uma série de reportagens pelo ICL Notícias, já teve repercussão internacional, com o relator especial da ONU para Direitos Humanos, Bernard Duhaime, defendendo a reabertura de investigações sobre crimes cometidos por militares.

