Polícia Federal investiga Banco Digimais por suspeita de fraude de R$ 480 milhões

Instituição teria utilizado fundos de investimento para esconder créditos inadimplentes e melhorar artificialmente os resultados financeiros.

A Polícia Federal investiga o Banco Digimais, controlado pelo bispo Edir Macedo, por suspeitas de irregularidades contábeis e manipulação de resultados financeiros. Segundo informações do jornal *O Estado de S. Paulo*, a instituição teria retirado do balanço carteiras de crédito com altos índices de inadimplência, transferindo-as para fundos de investimento dos quais é cotista, prática conhecida no mercado como ‘Zé com Zé’.

A investigação aponta que o banco deixou de registrar pelo menos R$ 480 milhões em créditos vencidos, que deveriam impactar negativamente seus lucros. Mesmo assim, a instituição declarou um lucro de R$ 31 milhões ao final de 2025. Entre os fundos envolvidos está o Tabor, que adquiriu carteiras de financiamento de veículos do Digimais. Em abril de 2026, o fundo possuía R$ 960 milhões em créditos, sendo R$ 575 milhões inadimplentes, incluindo mais de R$ 200 milhões em atrasos de até 720 dias.

Especialistas consultados pelo jornal classificaram as operações como arriscadas e atípicas para instituições financeiras saudáveis. O Digimais atua principalmente no financiamento de veículos usados para clientes endividados, cobrando juros elevados — em dezembro de 2025, a taxa chegava a 41,07% ao ano, uma das maiores do mercado. Auditores independentes também relataram dificuldades para verificar cerca de R$ 3 bilhões aplicados em fundos, representando 75% dos investimentos do banco nesse tipo de operação, além de ressalvas sobre a compra de R$ 741 milhões em cotas de um fundo pela holding de Macedo.

Com informações de: estadão

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