
crédito: ALEXANDRE GUZANSHE/EM/D.APRESS
Eduardo Bolsonaro discordou da narrativa dos aliados de Flávio, que apontam o deputado reeleito Nikolas Ferreira (PL) como responsável por gerar rejeição em outras regiões, como o Nordeste. Para a coalizão, a falha recai sobre Cleitinho Azevedo, que, segundo eles, não demonstrou empenho suficiente e deixou de assumir a “chefia da campanha” no estado. Após o primeiro turno, quando Flávio saiu vencedor, o candidato já expressou desconfiança em relação a Cleitinho; nas primeiras horas de apuração do segundo turno, a percepção era de que o futuro governador havia consolidado a imagem de “não confiável”.
A crítica inclui que Cleitinho não mobilizou os eleitores dos candidatos aliados derrotados na eleição estadual, Flávio Roscoe (PL) e Mateus Simões (PSD). Como disse um observador, “Só o Roscoe trabalhou e ele não tem votos. A derrota de Minas está na conta do Cleitinho”.
Durante o segundo turno, Cleitinho manteve postura de “quietinho” em Minas. Ele apoiou Flávio, declarou voto, usou adesivo e participou do último ato do presidente Lula em Belo Horizonte, em 24 de outubro, mas não se aprofundou em ações de campanha.
Em 16 de outubro, em Juiz de Fora, Lula orientou que ele permanecesse “quietinho”, o que, segundo a análise, teria limitado seu impacto. O resultado foi que Lula conquistou 76 cidades mineiras, reduzindo a vantagem de Flávio em 322 votos. Itabirito, a 60 km da capital na Grande BH, foi o maior ponto de virada pró-Lula e simbolizou a mudança no segundo turno. Em Capelinha, na Jequitinhonha, o candidato bolsonarista também sofreu a virada.
O cenário em Minas reflete o medo de uma possível volta dos bolsonaristas ao poder. No primeiro turno, com cerca de 20 mil candidatos, a maioria de direita apontava Lula, o STF e o ministro Alexandre de Morais como vilões, o que favoreceu a vitória de Flávio e a maioria dos estados e cadeiras no Congresso.
No segundo turno, com apenas dois candidatos, o discurso se despoluiu e os eleitores puderam comparar os perfis. A Associação Mineira de Municípios, representada pelo presidente Lucas Vieira (PSB), pretende ser ponte entre Cleitinho e Lula, defendendo que trajetórias de vida comuns podem facilitar a interlocução republicana.
A fuga de Flávio para o exterior, seguindo o padrão da família Bolsonaro, reflete o histórico de exilamento político e a tentativa de organizar um governo paralelo, enquanto o ex-presidente Jair Bolsonaro também fugiu para os EUA em 2022, e seu filho Eduardo também se exilou, buscando evitar investigações. As opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva do autor e não refletem necessariamente o posicionamento do Estado de Minas.
Com informações de: Estado de Minas
