Centro de autismo supera 34 mil atendimentos no Piauí, mas acesso às terapias ainda precisa ser avaliado

O Centro Especializado em Transtorno do Espectro Autista (Cetea), em Teresina, registrou mais de 34 mil atendimentos entre janeiro e setembro de 2026. O volume evidencia a demanda por acompanhamento especializado na rede pública estadual, mas também levanta uma questão fundamental: quantas pessoas são efetivamente beneficiadas e quanto tempo as famílias precisam esperar para iniciar as terapias?

A unidade integra a rede de assistência às pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e oferece acompanhamento multiprofissional. O atendimento especializado é importante para o desenvolvimento da comunicação, da autonomia, das habilidades sociais e das atividades cotidianas, respeitando as necessidades individuais de cada paciente.

O número de procedimentos realizados, entretanto, não corresponde necessariamente ao total de pessoas atendidas. Um mesmo paciente pode participar de diferentes sessões ao longo do período, o que torna necessária a divulgação de indicadores complementares para avaliar o alcance do serviço.

Segundo a Secretaria de Estado da Saúde (Sesapi), o Cetea realizou 34.945 atendimentos de janeiro a setembro, com aproximadamente 60 profissionais distribuídos em 13 especialidades. Entre os serviços oferecidos estão psicologia, fonoaudiologia, neurologia, psiquiatria, fisioterapia, psicopedagogia, nutrição, musicoterapia, odontologia e serviço social.

Inaugurado em julho de 2025, o centro funciona por meio de parceria entre a Sesapi e a Secretaria para Inclusão da Pessoa com Deficiência (Seid). A administração é realizada pela Sociedade Brasileira Caminho de Damasco (SBCD). A unidade atende pessoas de diferentes faixas etárias e recebe encaminhamentos de municípios de todo o Piauí.

De acordo com a coordenação do serviço, o acompanhamento é organizado por meio de Planos Terapêuticos Singulares, elaborados conforme as necessidades individuais. A integração entre profissionais de diferentes áreas busca garantir continuidade ao tratamento e permitir ajustes nas intervenções realizadas.

Apesar dos resultados apresentados, o balanço divulgado pelo Governo do Estado nesta segunda-feira (26) não informa o número de pacientes únicos atendidos, a quantidade de pessoas que aguardam a primeira consulta ou o tempo médio entre o encaminhamento e o início das terapias. Esses indicadores são fundamentais para compreender a capacidade de atendimento diante da procura pelo serviço.

Outra questão é a frequência das sessões. Pessoas autistas podem apresentar necessidades bastante diferentes, incluindo demandas intensivas de apoio à comunicação, à autonomia e às atividades cotidianas. Por isso, a avaliação da assistência precisa considerar não apenas a quantidade de procedimentos realizados, mas também a regularidade e a adequação do acompanhamento.

Para famílias residentes no interior do Piauí, o deslocamento até Teresina representa uma dificuldade adicional. A concentração de especialidades na capital pode exigir viagens frequentes, com impactos na rotina dos pacientes, dos responsáveis e na continuidade das intervenções.

O acesso ao Cetea ocorre pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mediante encaminhamento pela rede pública. Em Teresina, o primeiro passo é procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) e solicitar avaliação para encaminhamento à triagem especializada. Nos municípios do interior, as famílias devem procurar a Secretaria Municipal de Saúde.

Após o encaminhamento, a solicitação é inserida no sistema de regulação estadual. O paciente passa por avaliação multiprofissional quando convocado, para definição das necessidades terapêuticas e organização do acompanhamento.

O centro está localizado na Avenida Higino Cunha, nº 1552, bairro Cristo Rei, na zona Sul de Teresina.

A ampliação do atendimento especializado representa um avanço na estrutura pública de assistência às pessoas autistas. Entretanto, a divulgação de dados sobre filas, cobertura territorial, frequência das terapias e continuidade dos tratamentos permitiria avaliar com maior precisão se a oferta disponível acompanha as necessidades das famílias piauienses.

MAIS NOTÍCIAS

+LIDAS DA SEMANA