Carros como armas: psicologia e medidas para evitar atropelamentos em massa

Incidente durante Parada LGBT+ em Berlim deixou dezenas de feridos voltou a chamar a atenção para o uso de veículos como arma.//Reprodução/Twitter @guyelster
Carro atropela multidão em Berlim

Um recente incidente em Berlim, onde um veículo atropelou participantes da Parada do Orgulho LGBTQ+ — um evento que reuniu milhares na capital alemã —, reacendeu o debate sobre as motivações por trás de ataques que utilizam automóveis como armas.

O ministro do Interior da Alemanha, Alexander Dobrindt, classificou o ocorrido como um “ataque terrorista islâmico”. Este evento se soma a uma preocupante série de atropelamentos em massa que já causaram quase 30 mortes na Alemanha desde 2016, com casos registrados em Munique, Magdeburg, Trier e a própria Berlim, levantando a questão de como identificar e prevenir tais atos.

Os ataques com veículos como arma não são exclusivos da Alemanha. Em 3 de março de 2025, Mannheim testemunhou um homem investir contra uma multidão, resultando em duas mortes e onze feridos, apesar de advertências prévias sobre a possibilidade de atentados.

Curiosamente, neste caso, as autoridades não identificaram motivações políticas ou religiosas, direcionando a investigação para possíveis transtornos mentais do autor. Similarmente, no Canadá, um homem dirigiu um SUV contra participantes de um festival filipino na costa oeste, matando onze pessoas, com a hipótese de terrorismo sendo descartada.

Em contraste, o ataque em Munique em 13 de fevereiro de 2025, que deixou dois mortos e 37 feridos, teve como suspeito um afegão com possíveis tendências pró-islamistas, levando procuradores federais a apresentar acusações de duplo homicídio e múltiplas tentativas de homicídio.

Um caso na Alemanha em 20 de dezembro de 2024, onde um saudita atropelou pessoas em uma feira de Natal em Magdeburg, causando seis mortos e cerca de 300 feridos, foi classificado como uma ação individual motivada por fatores pessoais, não terrorismo, resultando em prisão perpétua.

Especialistas como o sociólogo Vincent Miller e o criminologista Keith Hayward, em um estudo de 2018, descrevem esses atropelamentos como eventos “imitatórios”, funcionando como “memes” que oferecem um modelo a ser replicado, muitas vezes impulsionados por ressentimento e um sentimento de injustiça.

Miller aponta que esses atos podem ocorrer “no calor do momento” e que os autores são diversos, incluindo indivíduos com tendências extremistas ou problemas de saúde mental, sendo o ato em si o principal elo comum.

A especialista em segurança internacional Pauline Paillé, da RAND Europe, concorda com a dificuldade em discernir padrões claros, mas sugere medidas para dificultar o acesso a veículos, como o endurecimento das exigências para aluguéis, verificações de antecedentes e o uso de geofencing para veículos inteligentes.

Além disso, Paillé defende um melhor planejamento urbano, com separação de áreas para pedestres e veículos, tornando mais difícil o acesso indevido a espaços públicos.

A implementação de barreiras físicas, como as utilizadas em feiras de Natal na Alemanha, também se mostrou eficaz em prevenir incidentes, embora a especialista ressalte que essas barreiras podem simplesmente redirecionar os perpetradores para áreas menos protegidas.

Com informações de: PORTAL-IG

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