Baixa umidade coloca 144 municípios do Piauí em alerta para queimadas

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) colocou 144 municípios piauienses em alerta para baixa umidade relativa do ar neste fim de semana. O aviso de perigo potencial abrange principalmente cidades das regiões Sudeste, Sudoeste e Centro-Norte do estado, onde os índices podem variar entre 20% e 30%, aumentando o risco de incêndios em áreas de vegetação e de problemas à saúde da população.

O alerta ocorre em um dos períodos mais secos do ano no Piauí. Além da redução da umidade, as temperaturas permanecem elevadas, com máximas que chegam a 34°C em Teresina e podem ser ainda maiores em municípios do interior, favorecendo a propagação rápida do fogo e agravando o ressecamento da vegetação.

Segundo o Inmet, embora o risco seja classificado como “perigo potencial”, a população deve reforçar os cuidados com a hidratação, evitar exposição prolongada ao sol nos horários mais quentes do dia e reduzir atividades físicas intensas durante a tarde. O órgão também orienta que, em caso de emergência, a população acione a Defesa Civil pelo telefone 199 ou o Corpo de Bombeiros pelo 193.

O cenário também exige atenção dos órgãos de prevenção e combate aos incêndios florestais. O Plano Anual de Ações Integradas de Prevenção, Controle e Combate aos Incêndios Florestais do Piauí (PAIF-PI) estabelece que, quando a umidade relativa do ar fica entre 20% e 30%, associada à vegetação ressecada e altas temperaturas, devem ser intensificadas as ações de vigilância e mobilização de brigadistas. Se a umidade cair abaixo de 20% e as condições persistirem, o protocolo prevê escalonamento das operações com participação do Corpo de Bombeiros e outros órgãos estaduais.

Além dos impactos ambientais, a baixa umidade interfere diretamente na saúde pública. O ar seco favorece o aumento de casos de desidratação, irritação nos olhos, ressecamento da pele, sangramentos nasais e agravamento de doenças respiratórias, especialmente entre crianças, idosos e pessoas com problemas crônicos.

Os efeitos também alcançam o setor produtivo. A estiagem reduz a disponibilidade de água, compromete atividades agrícolas e diminui a oferta de floradas utilizadas pelas abelhas, afetando a produção de mel em diversas regiões do estado. As queimadas ainda provocam perda de biodiversidade, destruição da vegetação nativa e aumento da emissão de poluentes na atmosfera.

Especialistas defendem que o enfrentamento desse cenário depende não apenas do combate aos incêndios, mas de ações permanentes de prevenção. Entre elas estão a preservação da vegetação nativa, a ampliação da arborização urbana, o monitoramento meteorológico contínuo e campanhas de conscientização para evitar queimadas ilegais.

Com a previsão de continuidade do tempo seco nos próximos dias, a recomendação é que produtores rurais, moradores de áreas próximas à vegetação e a população em geral redobrem os cuidados para evitar focos de incêndio. Em um estado onde a estiagem faz parte do calendário climático, a prevenção continua sendo a principal ferramenta para reduzir prejuízos ambientais, econômicos e sociais.

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