Brasil importou 7 de 10 agrotóxicos proibidos na Europa

Uma pesquisa revelou que sete dos dez agrotóxicos mais vendidos no Brasil são banidos na União Europeia.

Essa situação, caracterizada como “colonialismo químico” pela geógrafa Larissa Mies Bombardi, do Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento (IRD), na França, não impede que empresas europeias exportem esses produtos para o país.

Bombardi, que estuda o uso de agrotóxicos e sua relação com a economia global há 15 anos, explicou que as substâncias são proibidas em outros continentes devido a seus efeitos nocivos, como potencial cancerígeno, má-formação fetal, distúrbios hormonais e severos impactos ambientais.

Pesquisadora aponta que país sofre “colonialismo químico”

A geógrafa apresentou essas constatações durante a 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizada na Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, na sexta-feira (31).

Ela destacou o declínio de 41% no número de insetos globalmente entre 2009 e 2019, e de 53% em borboletas, conforme o Atlas dos Pesticidas 2022. Bombardi citou o herbicida atrazina como exemplo, o sexto mais vendido no Brasil, que pode causar anomalias em anfíbios, incluindo a inversão sexual em sapos.

O Brasil se tornou o principal destino de pesticidas banidos na UE, recebendo 3 mil toneladas em 2023, superando a soma de Ucrânia, Estados Unidos e Rússia.

Larissa Bombardi criticou a concentração do mercado de sementes e agrotóxicos em quatro grandes empresas, duas delas europeias (Basf e Bayer), a americana Corteva e a chinesa Sinochem, que detêm parcelas significativas do mercado.

Ela comparou essa dinâmica a um novo tipo de colonialismo, semelhante à escravidão, onde empresas europeias comercializavam pessoas para serem escravizadas em uma época em que tal prática era impensável na Europa.

A pesquisadora também ressaltou a importância da questão fundiária para entender o uso de agrotóxicos no Brasil, afirmando que a classe que monopoliza a terra dita as regras do setor. Bombardi, que vive na Bélgica desde 2021 por se sentir insegura no Brasil após a publicação de um atlas sobre resíduos de agrotóxicos em alimentos em 2019, acredita que o país pode liderar esforços para uma regulamentação internacional e para o incentivo à agricultura familiar.

Abelha africana ou africanizada (Apis mellifera scutellata), no Parque Ecológico do Lago Norte. Foto: Juca Varella/Agência Brasil
Silos para armazenamento de grãos em fazenda de cultivo de soja vistos ao longo da rodovia MA-140. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Com informações de: AGBR

MAIS NOTÍCIAS

+LIDAS DA SEMANA