Ataques a jornalista do NYT e defensiva de Flávio Bolsonaro sobre fuga

Reportagem do jornal americano com o senador provocou uma onda de críticas nas redes sociais. Jornalistas que assina o texto também foi alvo de ataques de apoiadores do parlamentar.//Flávio Bolsonaro, em Miami, mantém em segredo os detalhes de sua fuga do Brasil em entrevista ao The New York Times.
crédito: Reprodução/The New York Times

A entrevista concedida pelo senador Flávio Bolsonaro ao jornal americano The New York Times gerou forte reação entre seus apoiadores nas redes sociais. Críticos acusaram o veículo de “esquerdista” e direcionaram ofensas à repórter Ana Ionova, autora da matéria.

As críticas foram tão intensas que Ionova removeu a publicação da reportagem de seu perfil no Instagram. No X (antigo Twitter), o tom foi semelhante, com usuários questionando a credibilidade do jornal e a decisão de Flávio Bolsonaro em conceder a entrevista.

Durante a conversa em Miami, na última quarta-feira (4/11), Flávio Bolsonaro evitou detalhar sua saída do Brasil após a derrota eleitoral de Jair Bolsonaro, afirmando que o segredo de sua chegada aos Estados Unidos o acompanharia “até o túmulo”.

Ele sustentou que a decisão de viajar foi pessoal e sem ajuda externa, embora o jornal tenha apurado com autoridades americanas que um jato providenciado por um integrante da Casa Branca e autorização direta do então presidente Donald Trump estiveram envolvidos em sua entrada no país. Um assessor de Javier Milei também teria recebido o senador na Argentina.

Flávio Bolsonaro relatou ao jornal que deixou o Brasil na manhã seguinte ao pleito, após ser informado de que teria 24 horas para entregar seus passaportes. Ele descreveu um momento de despedida emocionado com o pai, Jair Bolsonaro, e disse estar preparado para as consequências.

Apesar de ter publicado um vídeo declarando que não deixaria o país, ele desapareceu por cerca de 42 horas, reaparecendo em Miami após uma jornada de mais de 8 mil quilômetros. O senador, que é investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro e corrupção, reiterou sua inocência e argumentou que seria preso se permanecesse no Brasil, prevendo a perda de sua imunidade parlamentar em 2027.

Na entrevista, o senador insistiu na alegação de fraude eleitoral sem apresentar provas concretas, considerando a derrota para Lula “matematicamente impossível” e “uma perda para o sistema”. Ele questionou a segurança das urnas eletrônicas e a apuração, apesar de o próprio PL ter aceitado o resultado e observadores internacionais terem certificado a eleição.

Flávio Bolsonaro agradeceu a Donald Trump por permitir sua permanência nos EUA, onde ele e sua família poderão ficar por pelo menos um ano com status humanitário. Mesmo fora do país, o senador planeja contestar a vitória de Lula judicialmente e apoiar pautas conservadoras, com expectativa de um encontro com Trump na CPAC, em Mar-a-Lago.

Com informações de: Estado de Minas

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