Aos 174 anos, Teresina tenta recuperar transporte coletivo e prepara novas obras de mobilidade

Teresina chega aos 174 anos com um dos seus principais problemas urbanos ainda à espera de uma solução definitiva: o transporte público. Com perda de passageiros, dificuldades operacionais e reclamações dos usuários, a Prefeitura prepara uma nova etapa de reestruturação do sistema, que inclui a aquisição de cerca de 150 novos ônibus e projetos para melhorar a mobilidade em regiões que cresceram rapidamente.

Durante a programação pelo aniversário da capital, o prefeito Sílvio Mendes reconheceu que o transporte coletivo perdeu credibilidade entre os teresinenses e afirmou que a recuperação do sistema está entre os principais desafios da gestão.

A renovação da frota ganhou novo impulso com a habilitação do município para contratar R$ 95 milhões em financiamento destinado à aquisição de novos ônibus. A Prefeitura deverá participar com contrapartida de R$ 5 milhões.

Além do financiamento, a administração municipal prevê investimentos próprios na reformulação do transporte. A expectativa é adquirir entre 150 e 160 veículos, de diferentes portes, para atender às características e à demanda das linhas da capital.

A proposta inclui micro-ônibus, ônibus convencionais e veículos maiores para os trajetos de maior movimento.

Para Sílvio Mendes, entretanto, a recuperação do transporte público não depende apenas da substituição dos veículos. A gestão trabalha também na reorganização do sistema e na atualização do planejamento da mobilidade urbana.

O objetivo é recuperar a confiança de uma população que, ao longo dos últimos anos, buscou outras formas de deslocamento diante das dificuldades encontradas no transporte coletivo.

Crescimento pressiona mobilidade

A expansão urbana também colocou novas regiões de Teresina no centro das discussões sobre infraestrutura.

Entre os projetos citados pelo prefeito está a construção de uma nova ponte na região do Pesqueirinho, na zona Norte. A estrutura deverá melhorar o acesso à Grande Santa Maria da Codipi, uma das áreas de forte expansão populacional da capital.

Segundo Sílvio Mendes, a intenção é viabilizar a obra com recursos próprios do município.

A necessidade de novas ligações acompanha uma mudança profunda no desenho de Teresina. A cidade cresceu para além das regiões tradicionalmente atendidas pela infraestrutura viária e passou a concentrar grandes contingentes populacionais em bairros cada vez mais distantes do Centro.

Esse movimento aumentou as distâncias entre casa, trabalho, escola e serviços públicos e tornou a mobilidade uma questão diretamente relacionada à qualidade de vida.

A Prefeitura também acompanha o projeto da quarta ponte entre Teresina e Timon. A nova ligação deverá conectar a Avenida Gil Martins, na capital piauiense, à Avenida Benedito Ferreira Campos, no município maranhense, ampliando as alternativas de deslocamento entre as duas cidades.

Aos 174 anos, Teresina enfrenta, portanto, um desafio que acompanha o próprio crescimento da capital.

Não basta expandir seus limites. É preciso permitir que quem vive nas diferentes partes da cidade consiga atravessá-la.

Entre novos ônibus, pontes e mudanças no planejamento urbano, a mobilidade aparece como uma das questões que definirão a Teresina dos próximos anos.

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