
O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, defendeu nesta segunda-feira (11), em Paris, o fortalecimento da cooperação internacional como estratégia essencial para enfrentar o avanço da fome, da pobreza e das desigualdades em meio às crises econômicas e geopolíticas globais. A declaração foi feita durante a Conferência da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) sobre o Futuro da Cooperação Internacional para o Desenvolvimento.
Durante o painel, o ministro alertou para a redução dos mecanismos internacionais de apoio justamente em um cenário de agravamento das vulnerabilidades sociais. “Enquanto a humanidade enfrenta crises interligadas, o mundo reduz os instrumentos criados para respondê-las. Para muitos, isso significa alimentos mais caros, serviços interrompidos e futuro incerto”, afirmou.
O encontro reúne líderes políticos, especialistas, representantes do setor privado e organizações da sociedade civil para discutir alternativas voltadas ao desenvolvimento social, à segurança alimentar e ao fortalecimento de economias inclusivas.

Dados apresentados na conferência apontaram que a ajuda oficial ao desenvolvimento sofreu queda de 23,1% entre 2024 e 2025, além da redução de recursos destinados a organismos multilaterais. Segundo os debatedores, o cenário pode ampliar o endividamento improdutivo, aprofundar desigualdades e comprometer serviços essenciais em países mais vulneráveis.
Diante desse contexto, Wellington Dias defendeu uma nova lógica de cooperação internacional, baseada em ações mais práticas e alinhadas às prioridades nacionais. Segundo ele, o combate à fome precisa permanecer como eixo central das políticas globais. “O combate à fome e à pobreza deve permanecer no centro desse esforço — não apenas por imperativo moral, mas porque é condição essencial para estabilidade, resiliência, paz e democracia”, declarou.
O ministro também destacou o papel da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, lançada durante a presidência brasileira do G20, em 2024. Para ele, a iniciativa tornou-se ainda mais estratégica diante do atual cenário internacional.

“O mundo já tem conhecimento, experiências comprovadas, instituições e capacidade técnica. O que frequentemente falta é coordenação e prioridade política. Precisamos usar melhor os recursos disponíveis, e para isso é preciso vontade política de fazer diferente”, afirmou.
Ainda em Paris, Wellington Dias participou da 3ª Reunião do Conselho de Campeões da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, instância da qual o Brasil é copresidente. O encontro discutiu estratégias para fortalecer o financiamento internacional e recolocar o combate à fome entre as prioridades da agenda global, especialmente na preparação para a Assembleia Geral das Nações Unidas.
Entre os principais pontos debatidos estiveram o fortalecimento do apoio nacional aos países integrantes da Aliança, a ampliação do financiamento integrado e o avanço das metas ligadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), sobretudo os objetivos 1 e 2, relacionados à erradicação da pobreza e da fome.
Criada durante a presidência brasileira do G20, a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza reúne atualmente 217 membros, entre países, instituições financeiras, organizações internacionais, fundações, universidades e entidades da sociedade civil. A proposta é transformar compromissos diplomáticos em ações práticas voltadas à segurança alimentar, inclusão social, geração de renda e melhoria das condições de vida das populações mais vulneráveis.
