
O número de adeptos da Umbanda e do Candomblé mais que triplicou no Brasil em dez anos, mas o Piauí ainda apresenta percentual abaixo da média nacional. Dados do Censo Demográfico 2022 mostram que essas religiões passaram de 0,3% para 1,05% da população brasileira, somando mais de 1,8 milhão de pessoas. No Piauí, o índice é de 0,43%.
Apesar do crescimento expressivo no país, o estado permanece em um patamar intermediário no Nordeste, atrás de unidades como Bahia, que lidera com 1%, e Sergipe, com 0,77%. Em contrapartida, o Piauí supera estados como Alagoas (0,4%) e se mantém próximo de Pernambuco (0,46%).
O levantamento também revela forte concentração regional. O Rio Grande do Sul lidera proporcionalmente no país, com 3,19% da população declarando seguir religiões de matriz afro-brasileira, seguido pelo Rio de Janeiro, com 2,58%, e São Paulo, com 1,47%. No Nordeste, a Bahia desponta como principal polo.
No recorte por cor ou raça, os dados contrariam percepções históricas. Entre os adeptos de Umbanda e Candomblé no Brasil, 42,9% se declaram brancos, 33,2% pardos e 23,2% pretos, indicando uma ampliação do perfil desses praticantes.
No Piauí, o crescimento acompanha a tendência nacional, ainda que em ritmo mais discreto. Especialistas apontam que fatores como tradição religiosa predominante, menor visibilidade cultural e possíveis episódios de intolerância religiosa influenciam a subnotificação ou a menor adesão declarada.
Os dados reforçam um movimento de expansão das religiões afro-brasileiras no país, ao mesmo tempo em que evidenciam desigualdades regionais. No Piauí, o avanço existe, mas ainda caminha abaixo da média nacional.
