Terminal abandonado na Zona Sul expõe desperdício milionário e cenário de abandono em Teresina

O abandono do terminal de integração da Zona Sul de Teresina tem provocado indignação entre moradores e trabalhadores da região. Sem funcionamento há anos, a estrutura construída com recursos públicos se transformou em um espaço marcado por vandalismo, insegurança e deterioração, acumulando equipamentos destruídos, ferragens saqueadas e até um cofre abandonado em meio aos escombros.

Moradores denunciam que o terminal, que já foi considerado um dos principais pontos de integração do transporte coletivo da capital, hoje serve apenas como passagem improvisada para pedestres e motociclistas, além de ponto utilizado por criminosos durante a noite.

Segundo relatos colhidos no local, a área apresenta sinais avançados de depredação. Estruturas metálicas foram arrancadas, partes internas sofreram vandalismo e não há qualquer vigilância permanente para proteger o patrimônio público.

Um dos entrevistados classificou a situação como um “desperdício muito grande” e lamentou o abandono de uma estrutura considerada essencial para os usuários de ônibus da Zona Sul. Ele destacou que o terminal recebeu investimentos elevados e atualmente permanece sem qualquer perspectiva concreta de reutilização.

Sem circulação de ônibus e praticamente vazio durante o dia, o espaço passou a ser usado de forma improvisada por moradores. Em um dos casos observados no local, um motociclista utilizava a ampla área abandonada para praticar a condução de uma motoneta triciclo. Segundo ele, o terminal acabou se tornando um ambiente adequado para adaptação ao veículo devido à ausência de movimentação.

O carroceiro Edmilson Marcelino também criticou a situação e afirmou que o terminal se tornou símbolo do desperdício de dinheiro público. Segundo ele, além do abandono prolongado, o local passou a ser usado como atalho por pedestres e veículos para fugir do trânsito da região.

Ele relatou ainda que a insegurança se intensifica durante a noite, quando o espaço passa a ser frequentado por criminosos. “Roubaram ferragens, arrancaram estruturas e ninguém faz nada. Não tem vigilante, não tem proteção nenhuma”, afirmou.

O vigia Irenaldo José reforçou a sensação de abandono e defendeu a reativação do terminal. Segundo ele, o espaço era fundamental para o deslocamento da população entre diferentes bairros da cidade e hoje serve apenas como cenário de depredação.

Cofre abandonado

A situação do terminal reacende o debate sobre o futuro dos equipamentos públicos desativados em Teresina. Para moradores da região, a estrutura poderia ser reaproveitada em benefício da comunidade, funcionando como centro cultural, espaço para feiras comunitárias, unidade de serviços públicos ou área destinada à capacitação profissional.

Enquanto isso, o terminal segue cercado por mato, ferragens expostas, estruturas destruídas e equipamentos abandonados – um retrato do desgaste do sistema de transporte coletivo e da ausência de soluções definitivas para espaços públicos que consumiram milhões em investimentos.

MAIS NOTÍCIAS

+LIDAS DA SEMANA