
Um servidor público estadual de 64 anos foi preso preventivamente em Campo Maior, suspeito de exigir cerca de R$ 20 mil de um servidor municipal para manter em sigilo documentos e informações relacionados ao presidente da Câmara Municipal, Wellington Sena. A prisão foi cumprida na segunda-feira (6) pela Polícia Civil.
O investigado foi identificado como Sérgio Pereira Silva. Segundo a apuração policial, o caso começou após a vítima denunciar que vinha recebendo cobranças por meio de mensagens enviadas pelo WhatsApp. Em troca do dinheiro, o servidor supostamente deixaria de divulgar informações envolvendo o chefe do Legislativo municipal.
A partir da denúncia, a Polícia Civil iniciou diligências e pediu à Justiça medidas para aprofundar a investigação. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos na residência do suspeito, onde celulares e computadores foram recolhidos e encaminhados para perícia.
De acordo com o delegado Herdeson Bernardo, a análise do material apreendido apontou indícios de ameaças e de exigência de vantagem financeira para que documentos relacionados a um integrante da Câmara Municipal não fossem divulgados.
Após a expedição do mandado de prisão preventiva, Sérgio Pereira foi levado para a Delegacia Regional de Campo Maior, onde permanece à disposição da Justiça.
A Polícia Civil informou ainda que o servidor já havia sido investigado em outro procedimento relacionado a supostos crimes contra a honra do prefeito João Félix. A autoridade policial ressaltou, no entanto, que a investigação anterior não tem relação com o caso que resultou na prisão.
A defesa de Sérgio Pereira afirma que a prisão não representa condenação e destaca que o investigado tem assegurados os direitos à presunção de inocência, ao contraditório e à ampla defesa.
Segundo os advogados, o servidor passou a ser alvo de medidas consideradas desproporcionais após apresentar aos órgãos competentes documentos e informações sobre supostas irregularidades envolvendo a administração municipal e a Câmara de Vereadores. A defesa informou que pretende adotar as medidas judiciais cabíveis para contestar as acusações.
Os advogados também pediram respeito ao devido processo legal e afirmaram confiar na análise do caso pelo Poder Judiciário. O presidente da Câmara Municipal foi procurado para comentar o caso, mas não havia se manifestado até a publicação da reportagem.
