Presidente do SINTE-PI destaca avanços, desafios e alerta para valorização do magistério

FOTO: SINTE/DIVULGAÇÃO

No Dia do Professor, a presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Piauí (SINTE-PI), Paulina Almeida, parabenizou todos os docentes do estado e do país, ressaltando a importância da categoria e as conquistas históricas alcançadas ao longo dos anos, fruto da luta coletiva da classe trabalhadora.

Segundo ela, uma das vitórias mais significativas foi o reajuste da remuneração dos professores que trabalham 40 horas semanais, garantindo que o valor pago no segundo turno seja igual ao do primeiro. A medida atende a uma antiga reivindicação do magistério piauiense.

Paulina também lembrou a criação do Piso Salarial Profissional Nacional, estabelecido pela Lei nº 11.738/2008 e em vigor desde 2009. O piso tem como objetivo assegurar que nenhum professor receba abaixo do valor mínimo definido anualmente pelo Ministério da Educação (MEC).

“O piso veio para assegurar uma base justa de remuneração e valorizar a profissão, mas ainda há muito o que avançar, sobretudo na implementação de políticas de carreira e formação”, afirmou.

Entre as políticas de valorização, ela destacou o Plano Nacional de Educação (PNE), que aborda carreira, condições de trabalho e formação inicial e continuada. O novo plano, já debatido pela sociedade e registrado no Projeto de Lei nº 26.014, aguarda votação no Congresso Nacional.

Reajuste e defasagem no Piauí

No Piauí, uma das conquistas mais recentes foi o reajuste linear da carreira, obtido após 17 dias de greve em 2025, com índices que variaram de 6,27% a 10,27%. Apesar do avanço, a categoria ainda enfrenta uma defasagem salarial de cerca de 65%, resultado de anos sem atualização adequada da carreira.

“Tivemos um achatamento salarial em que quem entra na carreira ganha praticamente o mesmo que quem está no fim dela. Este ano houve alguma melhora, mas ainda precisamos de uma valorização real por tempo de serviço e titulação”, pontuou.

Plano de carreira e concurso público

O novo plano de carreira dos profissionais da educação do estado foi apresentado ao governo em 28 de agosto e aguarda análise. O SINTE-PI defende que o documento garanta progressão justa e valorização efetiva.

Outro ponto considerado prioritário é a realização de concurso público ainda em 2025. Segundo dados do sindicato, o Piauí possui mais de 25 mil trabalhadores temporários na rede estadual, o que demonstra a necessidade urgente de, pelo menos, 10 mil vagas para professores e 5 mil para funcionários de escola.

“A escola não é feita só de professor. Precisamos também valorizar os funcionários da educação”, destacou.

Preocupação com a pejotização e a privatização da educação

A dirigente alertou para o avanço de políticas neoliberais que ameaçam a educação pública, como a pejotização e a mercantilização do ensino, implementadas por meio de programas e plataformas que flexibilizam as relações de trabalho.

“Se esses modelos avançarem, quem perde não são apenas os educadores, mas toda a sociedade, com a queda na qualidade da educação pública”, afirmou.

“O professor é o pilar de todas as profissões”

Encerrando sua fala, Paulina Almeida destacou o papel essencial dos professores na formação de todas as demais profissões.

“Se existe médico, engenheiro, advogado, é porque antes de todos eles existiu um professor. O magistério é uma das mais belas profissões e precisa ser valorizado na carreira, na formação e nas condições de trabalho”, disse.

Ela finalizou com um alerta sobre o futuro da profissão:

“Se não houver valorização, corremos o risco de viver um apagão do magistério. Daqui a 20 anos, será que ainda teremos professores? É preciso agir agora para garantir que nossos filhos e netos tenham mestres no futuro.”

Professores em sala de aula (SEDUC-PI)
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