
Agricultores familiares do Piauí poderão acessar cerca de R$ 1,5 bilhão em financiamentos do Plano Safra 2026/2027. A estimativa foi apresentada nesta quinta-feira (20), em Teresina, durante agenda com os ministros Fernanda Machiaveli, do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar; Wellington Dias, do Desenvolvimento e Assistência Social; e Luiz Marinho, do Trabalho e Emprego.
Em todo o Brasil, o Governo Federal disponibilizou R$ 85,2 bilhões para operações do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Com a inclusão de recursos destinados a assistência técnica, seguro agrícola, compras públicas e outros programas, o conjunto dos investimentos se aproxima de R$ 100 bilhões.
O plano oferece linhas de custeio e investimento para produção de alimentos, criação de animais, mecanização, irrigação, habitação rural, agroecologia e bioeconomia. As taxas variam de 0,5% a 7,5% ao ano. Para a produção de alimentos, os juros são de 2% ao ano. Sistemas agroecológicos, produção orgânica e produtos da sociobiodiversidade contam com taxa de 1%.

Segundo Fernanda Machiaveli, aproximadamente 50% dos recursos contratados pela agricultura familiar no Piauí são acessados por mulheres, principalmente por meio do Agroamigo, programa operado pelo Banco do Nordeste.
A ministra afirmou que o volume de crédito destinado ao estado vem crescendo anualmente e deverá ampliar a produção de alimentos e a criação de animais, além de facilitar a compra de máquinas e equipamentos.
“Quando a agricultura familiar é financiada, temos alimentos saudáveis e diversificados chegando à mesa das famílias piauienses e brasileiras. É uma produção que gera renda, sustento e prosperidade no campo”, declarou.
De acordo com Fernanda Machiaveli, a agricultura familiar brasileira produz mais de 400 tipos de alimentos. Ela destacou que o setor contribui para a segurança alimentar, a geração de renda e a permanência das famílias no campo.
O Plano Safra também prevê condições específicas para mulheres agricultoras, jovens rurais, beneficiários do Pronaf B, assentados da reforma agrária, povos indígenas, comunidades quilombolas e outros públicos atendidos pelo programa.
Para acessar o crédito, o agricultor deve procurar uma instituição financeira autorizada. Entre os documentos geralmente exigidos estão o Cadastro Nacional da Agricultura Familiar ou a Declaração de Aptidão ao Pronaf, o Cadastro Ambiental Rural regular, o comprovante de posse ou propriedade do imóvel e um projeto técnico ou uma proposta simplificada.
Além do financiamento, o plano reúne ações de assistência técnica e extensão rural, adaptação climática, comercialização, inclusão produtiva e agricultura urbana e periurbana. Também foram disponibilizados o Simulador de Crédito do Pronaf e novas funcionalidades do aplicativo Meu Imóvel Rural.
O ministro Wellington Dias destacou que aproximadamente quatro milhões de pequenos agricultores brasileiros estão inscritos no Cadastro Único. Segundo ele, a estratégia do Governo Federal é integrar as políticas de transferência de renda às ações de assistência técnica, qualificação e acesso ao crédito.
Dias afirmou que famílias atendidas pelo Bolsa Família podem ingressar em programas de inclusão produtiva e acessar financiamentos por meio do Plano Safra. A medida, conforme o ministro, busca ampliar a renda e a autonomia dos pequenos produtores.
O ministro também relacionou os investimentos na agricultura familiar à necessidade de preparar o país para crises internacionais e eventos climáticos extremos.
“Precisamos preparar o Brasil para guerras e mudanças climáticas. O objetivo é assegurar a produção e manter o preço dos alimentos e a inflação sob controle”, afirmou Wellington Dias.

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, comparou o atual volume de investimentos com os recursos disponibilizados no início do primeiro governo Lula. Segundo ele, entre 2003 e 2005, o plano voltado à agricultura familiar contava com menos de R$ 5 bilhões.
“Hoje estamos chegando a quase R$ 100 bilhões. É um sucesso construído ano após ano, com a participação do Banco do Nordeste, do Banco do Brasil e a orientação aos trabalhadores sobre os caminhos para acessar o crédito”, declarou Marinho.
Durante o evento, Luiz Marinho também apresentou uma avaliação do mercado de trabalho. Ele afirmou que o Brasil registra o menor índice de desemprego desde o início da série histórica e atribuiu o resultado à criação de empregos, ao crescimento da massa salarial e à valorização do salário mínimo.
Segundo o ministro, foram criados 10,1 milhões de empregos nos últimos três anos e meio. Marinho também mencionou a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda como uma medida de fortalecimento do poder de compra dos trabalhadores de menor renda.
Ao final da agenda, Wellington Dias comentou a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na campanha eleitoral. Coordenador da campanha, o ministro informou que Lula deverá visitar o Piauí, mas a data ainda será definida.
Dias disse que o presidente pretende participar de debates temáticos para apresentar programas e propostas de governo. Segundo ele, a inclusão do Piauí na agenda eleitoral é considerada natural pela relação política mantida por Lula com o estado.
