
A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (7), a quinta fase da Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. A ação ocorre simultaneamente nos estados do Piauí, São Paulo, Minas Gerais e no Distrito Federal.
Ao todo, policiais federais cumprem 10 mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão temporária, todos expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A operação tem como objetivo aprofundar as investigações sobre a estrutura financeira e operacional do grupo investigado.
Além das medidas de busca e prisão, o STF autorizou o bloqueio de bens, direitos e valores que somam R$ 18,85 milhões. Segundo a investigação, os recursos teriam relação com movimentações financeiras consideradas suspeitas e supostamente utilizadas para ocultar patrimônio de origem ilícita.
De acordo com a Polícia Federal, a nova fase da Compliance Zero busca reunir mais provas sobre a atuação da suposta organização criminosa, incluindo possíveis práticas de corrupção e mecanismos de lavagem de dinheiro utilizados para movimentação dos recursos investigados.
Até o momento, a PF não divulgou detalhes sobre os alvos da operação nem sobre o conteúdo apreendido durante o cumprimento das ordens judiciais.
Atualização às 9h30
Novas mensagens encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro passaram a integrar a quinta fase da Operação Compliance Zero e colocaram o senador Ciro Nogueira no centro da investigação conduzida pela Polícia Federal.
Segundo documentos analisados pela PF, os diálogos apontariam registros de pagamentos destinados a uma pessoa identificada apenas como “Ciro”. Em uma das conversas apreendidas, Vorcaro se refere ao senador como “grande amigo de vida”.
Os investigadores afirmam que o material também relaciona os supostos pagamentos a interesses legislativos ligados ao Banco Master. A apuração cita a chamada “Emenda Master”, apresentada por Ciro Nogueira em agosto de 2024, que propunha ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por CPF.
De acordo com a decisão do ministro André Mendonça, o texto da proposta teria sido elaborado por interlocutores ligados ao banco antes de ser entregue ao senador para apresentação no Congresso Nacional.
Após o protocolo da emenda, Daniel Vorcaro escreveu em mensagem apreendida pela PF: “Saiu exatamente como mandei”. Para os investigadores, a frase seria um dos principais indícios de possível influência direta do banqueiro sobre a formulação legislativa.
A investigação também menciona supostos pagamentos mensais que teriam variado entre R$ 300 mil e R$ 500 mil, além de benefícios como viagens internacionais, voos em jatinhos privados, hospedagens em hotéis de luxo, restaurantes, cartões para despesas pessoais e participação societária adquirida com forte deságio.
Outro trecho citado na decisão judicial menciona despesas de viagem de “Ciro/Flávia” custeadas por operadores ligados ao grupo investigado.
A operação também resultou na prisão temporária de Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro e apontado pela PF como operador financeiro do esquema investigado.
Segundo a decisão judicial, há risco concreto de interferência nas investigações em razão da influência política e institucional dos envolvidos. Até o momento, a defesa de Ciro Nogueira não apresentou manifestação detalhada sobre o conteúdo das novas mensagens.
