
247 – O cardeal arcebispo de São Paulo, dom Odilo Scherer, determinou que o padre Júlio Lancelotti suspenda imediatamente a transmissão de missas ao vivo, interrompa todas as suas atividades nas redes sociais e pode retirá-lo da paróquia de São Miguel Arcanjo, localizada no bairro da Mooca, na capital paulista, onde atua há mais de 40 anos. A medida, comunicada diretamente ao religioso, gerou forte repercussão entre padres e membros da Igreja, especialmente em grupos de mensagens instantâneas.
Durante uma das celebrações transmitidas ao vivo no domingo (14), ele anunciou aos fiéis que aquela seria uma das últimas missas exibidas publicamente. As transmissões vinham sendo realizadas pela Rede TVT (TV dos Trabalhadores) e canais do YouTube.
Reconhecido nacionalmente por seu trabalho junto à população em situação de rua na cidade de São Paulo, o religioso tem sido alvo recorrente de ataques de parlamentares e lideranças políticas de direita. Na ofensiva mais recente, o deputado federal Junio Amaral (PL-MG) divulgou um vídeo em suas redes sociais afirmando ter levado à Embaixada do Vaticano um abaixo-assinado com mais de mil assinaturas pedindo o afastamento de Lancelotti de suas funções religiosas.
O padre explicou que, de acordo com as normas da Igreja, sacerdotes que completam 75 anos podem ser removidos de suas funções para se aposentarem. Lancelotti completará 77 anos no próximo dia 27. Ele ressaltou, porém, que há exceções. “Há padres que permanecem em suas funções por muito mais tempo, alguns depois de completar 80, 90 anos”, afirmou. “Depende da necessidade da Igreja”.
Até o momento, a eventual decisão de afastá-lo definitivamente da paróquia não foi oficializada pelo cardeal dom Odilo Scherer, mantendo o futuro do padre Júlio Lancelotti em aberto dentro da Arquidiocese de São Paulo.
