
O juiz federal, jurista e acadêmico da Academia Piauiense de Letras Jurídicas (APLJ), Nazareno Reis, propõe uma reflexão sobre os impactos da inteligência artificial na comunicação contemporânea em seu artigo Mídias quaternárias e iconofagia, publicado no PhiloTechJus. Em linguagem acessível, o autor reúne conceitos da filosofia, da comunicação e da tecnologia para discutir como os algoritmos e os sistemas de inteligência artificial vêm alterando não apenas a forma como recebemos informações, mas também como pensamos e nos relacionamos com o mundo.
Inspirado na teoria do pesquisador alemão Harry Pross, Nazareno explica a evolução das mídias a partir de quatro estágios. A comunicação começa no próprio corpo humano, passa pelos registros escritos e pelas obras materiais, alcança os meios eletrônicos e chega ao que o autor denomina de “mídias quaternárias”, caracterizadas pela atuação de algoritmos e sistemas de inteligência artificial que deixam de apenas transmitir mensagens para também organizá-las, interpretá-las e até produzi-las.

Ao longo do artigo, o autor chama atenção para a crescente centralidade das telas na vida cotidiana. Segundo ele, a predominância das imagens fortalece a experiência visual, mas pode enfraquecer outras formas de percepção, como o tato, o olfato, a atenção prolongada, a memória corporal e a vivência concreta da presença do outro.
Nazareno também aborda o conceito de “iconofagia”, desenvolvido pelo pesquisador Norval Baitello Júnior, para descrever uma sociedade em que não apenas consumimos imagens, mas somos moldados por elas. Nesse ambiente, afirma o autor, algoritmos aprendem os interesses de cada usuário e passam a selecionar conteúdos, influenciando a maneira como percebemos a realidade.
Apesar da análise crítica sobre o ambiente digital, o artigo não rejeita os avanços tecnológicos. Ao contrário, reconhece as possibilidades abertas pela inteligência artificial, mas defende que o grande desafio contemporâneo é preservar a dimensão humana da comunicação. Para o jurista, recuperar a conversa presencial, o silêncio, a atenção demorada e a experiência sensorial são formas de reintegrar o corpo ao processo comunicativo.
Mais do que uma reflexão sobre tecnologia, Mídias quaternárias e iconofagia convida o leitor a pensar sobre o futuro da comunicação em uma época em que as máquinas participam cada vez mais da produção, da circulação e da interpretação das mensagens, sem que isso faça desaparecer a importância da experiência humana e da presença física nas relações sociais.
O texto completo de Nazareno Reis pode ser lido no link abaixo, no blog PhiloTechJus.
https://philotechjus.wordpress.com/2026/07/22/midias-quaternarias-e-iconofagia/
