
João Munhoz Neto, namorado da estudante de Direito Isabelle Caracristi, de 22 anos, foi preso preventivamente nesta terça-feira (22), em Fortaleza, no Ceará. Ele é investigado por ameaça e indução a crimes contra a vida. Isabelle foi encontrada morta no dia 13, no pátio do condomínio onde morava com o companheiro.
João chegou à Delegacia de Capturas por volta das 15h, em um veículo descaracterizado. Na noite anterior, ele havia prestado depoimento por cerca de quatro horas no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). O celular do investigado também foi entregue para perícia.
A defesa de João classificou a prisão preventiva como uma “resposta midiática” e afirmou que ele não estava no apartamento no momento da morte. Segundo a advogada, a principal hipótese defendida pela defesa é de que Isabelle tenha tirado a própria vida.
A advogada também confirmou que João era casado e estava em processo amigável de divórcio. Segundo ela, Isabelle teria conhecimento da situação. A defesa ainda negou que o apartamento onde a jovem morreu tenha sido colocado à venda após o caso. Conforme a advogada, o imóvel pertence à mãe de João e é financiado.
O caso ganhou repercussão após a mãe de Isabelle, a professora universitária Isorlanda Caracristi, publicar um vídeo nas redes sociais cobrando esclarecimentos sobre as circunstâncias da morte da filha.
O laudo cadavérico apontou como causa da morte politraumatismo, com lesões no corpo compatíveis com o impacto contra o solo. A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS-CE) informou que, apesar do resultado do laudo, a dinâmica dos fatos ainda está sendo investigada. Segundo a pasta, somente após a conclusão dos trabalhos será possível esclarecer os fatores que influenciaram a morte da estudante.
Relatos da mãe
No vídeo publicado nas redes sociais, Isorlanda relatou que mantinha uma relação próxima com a filha e que passou a se preocupar com o relacionamento de Isabelle depois que ela começou a namorar João, que era chefe da jovem em um escritório de advocacia. Os dois haviam começado a trabalhar juntos em julho.
Segundo a mãe, nos primeiros dias de estágio, Isabelle teria sido bem avaliada por João e, posteriormente, levada para trabalhar diretamente no setor dele. Isorlanda afirmou que ficou orgulhosa com a conquista da filha, mas considerou a mudança de função suspeita.
Ainda conforme o relato, Isabelle e João começaram um relacionamento menos de 10 dias após o início do estágio. A mãe disse que questionou a rapidez da aproximação e marcou um almoço para conhecer o então namorado da filha. Após o encontro, afirmou ter ficado mais tranquila, embora ainda mantivesse preocupações.
Isorlanda também relatou que Isabelle decidiu morar com João, a mãe dele e o irmão. Segundo ela, apesar de não concordar com a decisão, evitava entrar em conflito com a filha por temer que uma discussão provocasse um afastamento entre as duas.
A mãe afirmou ainda que considerava João controlador e relatou comportamentos que, segundo ela, eram motivo de preocupação. Entre eles, estaria um pedido para que Isabelle utilizasse o próprio cartão bancário e uma sugestão para colocar uma empresa em nome da jovem.
Último contato
De acordo com Isorlanda, Isabelle havia relatado dores na coluna e, por isso, passou o sábado (12) com a mãe. No domingo (13), a jovem retornou ao condomínio onde morava com João para participar de uma missa e de uma procissão.
Ainda naquele dia, Isabelle enviou uma mensagem à mãe sobre o preparo de um alimento. Mais tarde, às 19h22, mandou a mensagem: “Mãe, eu te amo”. Segundo Isorlanda, a filha não enviou a mensagem de boa noite que costumava mandar diariamente.
Na manhã seguinte, a mãe afirmou que tentou entrar em contato diversas vezes com Isabelle, mas não conseguiu. Ela também procurou João, sem receber resposta, e posteriormente percebeu que estava bloqueada.
Isorlanda então foi até o condomínio acompanhada de familiares para tentar localizar a filha. Segundo o relato, havia uma movimentação diferente entre os funcionários do local. A mãe afirmou que foi informada pela síndica de que Isabelle havia morrido na noite anterior e que o corpo havia sido encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML).
A mãe questionou o fato de, segundo ela, não ter sido comunicada diretamente pela família de João sobre a morte da filha. Isorlanda também afirmou que, cinco dias após a morte, ainda não havia recebido contato do namorado ou de familiares dele.
Ao final da publicação, a professora pediu esclarecimentos sobre as circunstâncias da morte de Isabelle e cobrou justiça.
