Mutirão em Timon tenta destravar fila e atende crianças à espera de neuropediatra

Fotos: Renato Bezerra

A Prefeitura de Timon concentrou, nesta quinta-feira (24), atendimentos em neuropediatria no CER Maria do Carmo Neiva, dentro de mais uma edição do programa Saúde É Agora. A ação ocorre em meio à pressão crescente por consultas especializadas e tenta reduzir a fila de crianças que aguardam avaliação para transtornos do neurodesenvolvimento.

A estimativa da gestão foi atender cerca de 100 pacientes em um único dia, priorizando crianças em investigação ou acompanhamento para condições como Transtorno do Espectro Autista (TEA) e TDAH. O atendimento começou às 8h e reuniu equipes médicas e técnicas em formato de mutirão, estratégia adotada para acelerar diagnósticos e encaminhamentos.

Luana Gomes, da auditoria da saúde de Timon

A organização ficou sob responsabilidade da Auditoria da Saúde, que realizou o contato prévio com as famílias para garantir a presença dos pacientes e otimizar a agenda. Segundo a auditora Luana Gomes, a iniciativa busca dar fluidez ao acesso à especialidade, uma das mais demandadas da rede. “A ideia é reduzir o tempo de espera e garantir continuidade no acompanhamento dessas crianças”, afirmou.

Ainda de acordo com a auditoria, pacientes que não foram chamados ou não puderam comparecer devem procurar o setor para reavaliação. Nos casos em que não há regulação no sistema, o caminho segue pelas Unidades Básicas de Saúde, com encaminhamento posterior para serviços como CAPS ou unidades de referência, até a inclusão no fluxo da rede especializada.

Luciana aguardava há 9 meses por consulta para o filho em investigação de TEA.

Na prática, o mutirão atinge diretamente famílias que aguardavam há meses por atendimento. A dona de casa Luciana relatou que conseguiu a consulta do filho após nove meses de espera. “É muito bom, porque a gente estava aguardando há muito tempo”, disse. O menino, Adrian Henrique, está em investigação para TEA. Apesar disso, ela avalia que o sistema ainda precisa avançar para dar conta da demanda crescente.

Esta é a décima edição do programa Saúde É Agora, que já realizou ações em especialidades como ortopedia e cardiologia. A estratégia da prefeitura tem sido concentrar atendimentos em datas específicas para tentar reduzir gargalos históricos, sobretudo nas áreas com maior fila.

O cenário, no entanto, ainda revela um desafio estrutural. A alta procura por neuropediatria, impulsionada pelo aumento de diagnósticos e pela ampliação da busca por acompanhamento precoce, pressiona a rede pública e exige soluções contínuas, além de ações pontuais como os mutirões.

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