
Entre ossadas de baleias, embarcações, animais em tamanho natural e memórias de pescadores, marisqueiras e rendeiras, o Museu do Mar do Delta do Parnaíba apresenta aos visitantes um retrato vivo da região. Instalado no Complexo Porto das Barcas, em Parnaíba, o espaço conecta história, cultura e biodiversidade. O Portal Atualize esteve no local e registrou em vídeo detalhes das cinco salas que integram o percurso expositivo.

Durante a visita, Alessandra Monteiro, guia do Museu do Mar, apresentou o acervo e explicou que o espaço tem como principal objetivo valorizar a cultura local, preservar o patrimônio e fortalecer o reconhecimento das comunidades que vivem na região do Delta. A exposição estabelece uma ligação entre passado, presente e futuro, mostrando que a história permanece viva nos saberes, nas tradições e no cotidiano da população.
A primeira sala é dedicada às comunidades da Área de Proteção Ambiental do Delta do Parnaíba, que compreende territórios do Piauí, Ceará e Maranhão. Instrumentos de trabalho, peças artesanais e outros elementos apresentam o modo de vida dos povos tradicionais e os conhecimentos transmitidos de geração em geração.

Na segunda sala, a natureza assume o protagonismo. A exposição reúne informações sobre a fauna, a flora e a botânica da região, além de representações em tamanho natural que ajudam o público a compreender a diversidade dos ecossistemas encontrados no Delta.

O percurso segue pela sala dedicada aos animais que habitam o território. Exemplares taxidermizados, réplicas e representações de espécies marinhas aproximam os visitantes da rica fauna local e reforçam a importância da preservação ambiental.
Na quarta sala, o público conhece a história da navegação. Embarcações construídas por pescadores, equipamentos, fotografias e materiais relacionados à Marinha mostram como os rios e o mar influenciaram o trabalho, a economia e a formação cultural das comunidades litorâneas.

A quinta sala, chamada de Sala do Corpo, propõe um encontro simbólico entre o passado e o futuro. O ambiente conta com exibição de vídeos e uma impressionante exposição de ossadas de cetáceos, incluindo o esqueleto de um cachalote com cerca de nove metros. A dimensão das peças transforma a visita em uma experiência de contemplação e aprendizado.
A história também está presente na própria arquitetura. Segundo Alessandra Monteiro, o local funcionou como armazém portuário, onde eram guardados produtos como charque e couro bovino antes do transporte para outras regiões. O Complexo Porto das Barcas remonta ao século XVIII e integra o conjunto histórico e paisagístico de Parnaíba, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

Além das salas, o complexo é considerado um museu a céu aberto. As construções, as ruínas preservadas e a proximidade com as águas ajudam a contar uma parte importante da trajetória econômica e social de Parnaíba.
Visitar o Museu do Mar é compreender que o Delta não é apenas uma paisagem. É território, memória e vida. Cada sala revela um fragmento dessa história e mostra como o povo, os rios e o mar permanecem unidos pelo tempo.
O Museu do Mar funciona de terça-feira a sábado, das 8h às 21h, e aos domingos, das 15h às 21h. O ingresso custa R$ 20, com meia-entrada no valor de R$ 10. O espaço está localizado na Rua Merval Veras, nº 300, no Complexo Porto das Barcas, em Parnaíba.
