
O vício em apostas online, popularmente conhecidas como ‘bets’, tem se tornado uma preocupação crescente entre os jovens brasileiros. Integrantes de grupos de apoio relatam a chegada de adolescentes cada vez mais novos em busca de ajuda para superar a compulsão, com casos de jovens de 14 anos já apresentando dependência. Essa facilidade de acesso, impulsionada pela tecnologia móvel, tem ampliado a exposição desse público a riscos financeiros e psicológicos significativos.
Gustavo Pereira, 24 anos, é um exemplo de como o vício pode impactar drasticamente a vida. Ele iniciou nas apostas online aos 18 anos e, em seis anos, chegou a perder R$ 500 mil, apesar de ter experimentado ganhos expressivos. Gustavo descreve como o dinheiro perdeu a dimensão e a ganância tomou conta, levando-o a problemas de saúde mental como depressão e síndrome do pânico. Atualmente em recuperação, ele compartilha sua jornada e luta contra as recaídas, vendendo café nas ruas de Lages (SC) e utilizando as redes sociais para inspirar outros.
Especialistas e pesquisas recentes corroboram essa tendência alarmante. Dados do Unicef indicam que uma parcela considerável de crianças inicia apostas online antes dos 11 anos, com o número crescendo para 78% a partir dos 12 anos. No Brasil, uma pesquisa deste ano revelou que 9,5% dos estudantes do ensino fundamental e médio fizeram a primeira aposta aos 11 anos, e quase metade dos alunos do terceiro ano do ensino médio já apostaram. A psicóloga Mariana Kehl explica que a vulnerabilidade dos jovens se deve à imaturidade cerebral, com o centro de prazer em pleno funcionamento e as áreas de controle de impulsos ainda em desenvolvimento, tornando-os suscetíveis a apostas impulsivas.



Com informações de: AGBR
