
A aplicação de multas de trânsito em uma área destinada ao embarque e desembarque de estudantes, nas proximidades de uma escola particular de Teresina, motivou uma denúncia pública da jornalista Carla Cleia, que é cadeirante. Além de questionar a legalidade das autuações, ela chama atenção para um problema ainda mais amplo: as dificuldades enfrentadas diariamente por pessoas com deficiência para acessar espaços urbanos que deveriam garantir segurança, mobilidade e inclusão.
Segundo a jornalista, pais e responsáveis estariam sendo multados durante a parada para deixar ou buscar os filhos na escola, mesmo em um local onde o embarque e desembarque seria permitido. Carla afirma já ter recebido quatro autuações e relata que a situação afeta especialmente famílias que convivem com a deficiência e dependem de condições adequadas de acessibilidade para realizar atividades rotineiras.

A denúncia expõe uma realidade que vai além das multas. Cadeirante e mãe de um filho com deficiência, Carla relata que frequentemente precisa estacionar distante da escola e percorrer trajetos considerados inseguros, enfrentando obstáculos como buracos, calçadas inadequadas e postes instalados em áreas de circulação de pedestres.
“Eu e meu filho precisamos nos deslocar em condições que colocam nossa segurança em risco. O que deveria ser um momento simples, de deixar uma criança na escola, acaba se tornando um desafio diário para quem depende de acessibilidade”, afirmou.

A jornalista questiona a atuação da Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (Strans), argumentando que a fiscalização não estaria sendo acompanhada por ações efetivas de organização do tráfego no entorno da unidade de ensino. Para ela, a prioridade deveria ser garantir a circulação segura de veículos, pedestres e pessoas com mobilidade reduzida.
Carla também relata que tentou buscar esclarecimentos junto ao órgão de trânsito, mas afirma não ter conseguido dialogar diretamente com a gestão responsável pela fiscalização. Segundo ela, a falta de respostas aumenta a sensação de insegurança entre os pais.
Além das dificuldades estruturais, a jornalista denuncia situações de desrespeito às normas de acessibilidade, como veículos estacionados sobre rampas de acesso e obstrução de áreas destinadas à circulação de pessoas com deficiência. Em um dos episódios, ela afirma ter sido alvo de hostilidade ao questionar a conduta de outro motorista.
Para Carla, o debate não se limita à aplicação de multas. A questão central, segundo ela, envolve o direito à cidade, à mobilidade e à inclusão de pessoas com deficiência em espaços públicos.
“A acessibilidade não pode existir apenas no papel. Ela precisa estar presente nas calçadas, nas vias, nas escolas e também nas decisões tomadas pelo poder público”, declarou.
Em nota, a Strans informou que reclamações e contestações relacionadas a multas ou à sinalização viária devem ser registradas formalmente por meio dos canais oficiais da instituição, incluindo protocolo presencial, Sistema Eletrônico de Informações (SEI) e Ouvidoria.
O órgão destacou que o registro formal garante transparência, acompanhamento adequado das demandas e análise técnica de cada caso. A Strans reafirmou ainda seu compromisso de atuar conforme a legislação vigente e de buscar soluções que atendam ao interesse coletivo e ao bem-estar da população.
