
A atuação da Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito de Teresina (Strans) voltou a ser alvo de críticas e debates entre moradores da capital. A crescente insatisfação popular envolve principalmente a percepção de que o órgão estaria priorizando multas em vez da organização do trânsito, além de episódios recentes que ganharam repercussão nas redes sociais.
Entre os casos mais comentados está a abordagem a uma família durante uma blitz realizada pela Strans. O vídeo divulgado pelo motorista viralizou e provocou revolta entre internautas, que criticaram a condução da fiscalização. Em entrevista, o diretor de Operações e Fiscalização de Trânsito da Strans, coronel Jaime Oliveira, afirmou que as imagens captadas pelas câmeras corporais dos agentes desmentem a versão divulgada inicialmente nas redes sociais.
Segundo o diretor, o veículo estava estacionado em área proibida, sem placa dianteira, com licenciamento atrasado desde 2021 e acumulando dezenas de multas. Ele também informou que o motorista não possuía habilitação e transportava crianças sem as cadeirinhas obrigatórias previstas na legislação de trânsito.
Apesar da repercussão negativa, o coronel Jaime defendeu o trabalho desenvolvido pela fiscalização e afirmou que o reforço das operações tem contribuído diretamente para a redução de acidentes na capital.
Conforme os dados apresentados pela Strans, mais de 10,7 mil pessoas deram entrada no Hospital de Urgência de Teresina (HUT) vítimas de acidentes de trânsito em 2024. Já em 2025, após a intensificação das fiscalizações, o número caiu para pouco mais de 9,8 mil atendimentos.
“O objetivo não é multar. A multa é consequência da infração. O foco é preservar vidas e organizar o trânsito”, declarou o diretor.
Mesmo assim, moradores continuam questionando a postura do órgão. Entre as reclamações mais frequentes estão situações em que agentes permanecem dentro de viaturas enquanto pontos da cidade registram congestionamentos, desordem no fluxo de veículos e dificuldades na mobilidade urbana.
Durante a entrevista, Jaime Oliveira afirmou que Teresina passou anos sem fiscalização efetiva, cenário que teria contribuído para o aumento das irregularidades no trânsito. Segundo ele, era comum encontrar motociclistas sem capacete, veículos sem placas, motoristas sem habilitação e carros circulando em situação irregular.
O diretor também destacou o avanço do sistema de videomonitoramento utilizado pela Strans. De acordo com ele, a cidade saiu de 39 para 384 câmeras instaladas, dentro de um projeto que prevê quase 500 equipamentos em funcionamento.
As câmeras são utilizadas para registrar infrações como avanço de sinal vermelho, circulação na contramão, motociclistas sem capacete, ausência de retrovisores e outras irregularidades previstas no Código de Trânsito Brasileiro. As imagens são analisadas e validadas por agentes antes da aplicação das autuações.
Além das vias públicas, a fiscalização também ocorre em estacionamentos de shoppings e supermercados para garantir o cumprimento das vagas destinadas a idosos, gestantes e pessoas com deficiência, incluindo pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Teresina possui atualmente uma das maiores frotas do Norte e Nordeste, com mais de 695 mil veículos cadastrados, sendo cerca de 259 mil motocicletas. O crescimento da frota e os altos índices de acidentes mantêm o trânsito como um dos principais desafios urbanos da capital.
Enquanto a Strans sustenta que a fiscalização tem reduzido acidentes e salvado vidas, a população segue cobrando maior equilíbrio entre punição, orientação e organização do trânsito nas ruas da cidade.
