Hospitais privados poderão trocar até 50% das dívidas com a União por atendimento a pacientes do SUS

BRASÍLIA- Hospitais privados e filantrópicos que queiram aderir ao programa Agora Têm Especialistas do Sistema Único de Saúde-SUS e trocar dívidas por atendimento a pacientes do  poderão abater até 50% dos débitos com a União, anunciaram os ministros Fernando Haddad e Alexandre Padilha nesta terça-feira, 24.

A estimativa do Ministério da Saúde é que a adesão gere até R$ 2 bilhões de crédito por ano para essas instituições. Neste ano, o governo prevê esse montante até dezembro.

“Vamos ter R$ 2 bilhões por ano de crédito, esse é o nosso limite. Vamos trabalhar para que entrem R$ 2 bilhões em atendimentos, cirurgias, consultas especializadas realizadas neste segundo semestre, porque oferta o limite de crédito nesse mecanismo”, disse Padilha.

Os ministros da Fazenda, Fernando Haddad, e da Saúde, Alexandre Padilha, durante entrevista coletiva realizada na tarde desta terça-feira sobre a troca de dívidas por atendimento médico especializado para o SUS. FOTO: WILTON JUNIOR/ESTADÃO Foto: WILTON JUNIOR

De acordo com o ministro da Saúde, os hospitais que aderirem à ação deverão ofertar no mínimo R$ 100 mil por mês em procedimentos. No caso de hospitais localizados em regiões com menos instituições aptas a oferecer exames e cirurgias, o valor poderá ser flexibilizado para R$ 50 mil.

Serão sete áreas prioritárias: oncologia, ginecologia, cardiologia, ortopedia, oftalmologia, otorrinolaringologia e saúde da mulher. Esta última foi incluída após o lançamento e vai incluir a oferta de exames como ultrassonografia, ressonância magnética e biópsia. Haverá foco em endomitriose, sangramento uterino anormal e suspeita de câncer do colo do útero.

O programa foi relançado em maio  pelo presidente Lula. Na ocasião, foi assinada a medida provisória que autoriza o governo federal a utilizar hospitais privados no atendimento de pacientes do SUS. Nos próximos dias, Padilha deve anunciar as condições para que o ressarcimento devido por planos de saúde ao sistema público seja incorporado ao programa.

Troca das dívidas

Haddad afirmou que há 3.537 instituições de saúde endividadas no País, o que representa uma dívida total de R$ 34,1 bilhões. Segundo o governo, cada hospital poderá trocar parte dos débitos com a União da seguinte forma:

  • Dívida maior do que R$ 10 milhões, troca de até 30% dos débitos.
  • Dívida de R$ 5 a R$ 10 milhões, troca de até 40% dos débitos.
  • Dívida menor do que R$ 5 milhões, troca de até 50% dos débitos.

“Nosso foco não é o número de instituições que participam, é o número de cirurgias, consultas especializadas e exames ofertados”, declarou Padilha. “Nosso foco não é atingir todas as instituições, até porque algumas não têm nem capacidade operacional de oferecer cirurgias, exames, aquilo que a gente precisa.”

A troca de dívidas será distribuída proporcionalmente entre as cinco regiões do País:

  • Sudeste: 36,5% dos créditos
  • Nordeste: 24% dos créditos
  • Sul: 11,5% dos créditos
  • Centro-Oeste: 10% dos créditos
  • Norte: 8% dos créditos

Os hospitais privados e entidades filantrópicas que aderirem contarão com uma série de incentivos financeiros. Entre os principais benefícios estão um período inicial de seis meses sem a incidência de juros e multas, além de uma redução de 70% no valor total desses encargos sobre a dívida. A adesão também permite a regularização fiscal das instituições.

Para Haddad, a iniciativa é um misto de Pro-uni com “Desenrola” (programa para auxiliar na negociação de dívidas).

“É uma coisa que acelera o processo de saneamento (de dívidas) de uma entidade que o governo precisa apoiar, mas, ao mesmo tempo, oferece condições para que uma pessoa do SUS tenha seu atendimento priorizado”, disse o ministro da Fazenda.

Hospitais sem dívidas com a União também poderão participar do programa. Nesse caso, o governo estima uma redução de receita de até R$ 750 milhões para financiar os serviços prestados. O valor está previsto na MP.

Aposta de Lula

O “Agora tem Especialistas” é o novo nome do “Mais Acesso a Especialistas”. A necessidade de reduzir o tempo de espera de pacientes do SUS por atendimento especializado era uma promessa de campanha do presidente.

Ao assumir a pasta, em março, Padilha afirmou que sua obsessão seria reduzir o tempo de espera para quem busca atendimento especializado.

Em 2024, a então ministra Nísia T anunciou as primeiras ações do “Mais Acesso a Especialistas”, mas havia uma avaliação do governo de que o programa não decolara.

Estadão

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