Harpia ataca turista na Amazônia: raros casos levantam debate sobre conservação

Harpia carrega filhote de macaco-prego recém-predado
Foto: Jiang Chunsheng / Wikimedia Commons.

No interior da Guiana Francesa, em outubro de 2023, uma turista de 39 anos foi atacada por uma harpia (Harpia harpyja), a maior águia do mundo, a cerca de 35 km da vila mais próxima, próximo ao Rio Kourou.

O episódio ocorreu durante uma caminhada guiada com 11 pessoas, quando a ave, pousada a seis metros de altura, foi fotografada pelo casal. Ao retomarem a trilha, a harpia desceu e atingiu a parte posterior da cabeça da mulher com suas garras de até 12 cm. O parceiro tentou contê-la, pressionando-a contra o chão, até que a ave alçasse voo, permitindo a fuga. A vítima, encaminhada ao hospital sete horas depois, recebeu tratamento com antibióticos e as feridas cicatrizaram em semanas.

O ataque, registrado e documentado por pesquisadores, é considerado extremamente raro. Everton Miranda, biólogo que monitora harpias desde 2016, destaca que interações agressivas como essa são incomuns entre grandes predadores sul-americanos. Ele e uma equipe franco-guianense publicaram artigo científico sobre o caso, embora haja resistência na academia em relatar tais episódios. “Há receio de aumentar o estigma contra a espécie, pois muitos abates de harpias estão ligados à predação de animais domésticos”, explica Miranda. Para ele, a visibilidade de casos como esse pode, inclusive, estimular políticas públicas de interação humano-animal.

Harpia carrega filhote de macaco-prego recém-predado
Foto: Jiang Chunsheng / Wikimedia Commons.

Apesar da raridade, fotógrafo e biólogo Carlos Tuyama, com 11 anos de experiência em Rondônia, apurou outro caso suspeito: sete anos atrás, um pescador foi atingido por uma harpia ao se aproximar de um ninho, confundindo a ave com um mutum. O homem teve o queixo e a boca perfurados, e a harpia só se soltou após um golpe de facão. Tuyama não publicou o achado, mas reforça que os ataques costumam ocorrer em situações específicas, como defesa de presa ou ninho.

“Geralmente, a pessoa não percebe a ameaça, mas a ave age para proteger seu alimento ou filhotes”, esclarece. No caso da Guiana Francesa, guias encontraram uma carcaça de macaco próximo ao local do ataque, enquanto no caso de Tuyama havia uma presa em decomposição.

Harpia juvenil
Foto: Carlos Tuyama
Harpia captura sua presa, no Par
Foto: Carlos Tuyama

Com informações de: Mongabay Brasil

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