Milei corta repasses a deficientes e Justiça dá 72h para reverter decisão

O governo do presidente argentino Javier Milei anunciou, em 18 de abril, a suspensão de repasses financeiros a programas que atendem pessoas com deficiência, alegando a necessidade de combater desperdícios e modernizar a burocracia estatal. A medida atinge organizações que oferecem serviços terapêuticos e educacionais em todo o país, gerando um impacto imediato na rede de assistência.

No mesmo dia, a Justiça argentina determinou um prazo de 72 horas para que o governo restabelecesse os pagamentos. No entanto, a gestão Milei recorreu da decisão, mantendo a política de contenção de gastos. Em abril, o Executivo enviou ao Congresso um projeto de lei que propõe alterar o sistema de repasses, permitindo que prestadores de serviços negociem diretamente com seguradoras e governos locais, limitando o acesso a benefícios.

Além disso, o governo fechou a agência nacional de deficiência e demitiu servidores, transferindo os programas para o Ministério da Saúde sob a justificativa de combater supostas irregularidades na gestão anterior. A falta de recursos já sufoca as entidades, que enfrentam dívidas crescentes devido a reembolsos atrasados e valores defasados pela inflação. Sem verbas, cerca de 50 centros terapêuticos fecharam em 2024, principalmente em regiões rurais.

Governo de Javier Milei congela repasses para entidades que atendem pessoas com deficiência na Argentina. entenda os impactos e as justificativas dos cortes.

A justificativa do governo para os cortes é a necessidade de enxugar gastos ‘desnecessários’ e garantir o superávit orçamentário para pagar juros da dívida pública. A medida, no entanto, tem sido criticada por especialistas e organizações da sociedade civil, que alertam para os impactos sociais da redução de investimentos em políticas públicas essenciais.

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