
O Governo do Piauí divulgou, nesta quarta-feira (7), os indicadores oficiais da segurança pública referentes ao ano de 2025. A apresentação ocorreu no Palácio de Karnak, em Teresina, e reuniu autoridades estaduais e representantes das forças de segurança. Os dados apontam redução expressiva nos crimes violentos, especialmente nos homicídios, refletindo os investimentos e as ações integradas adotadas pelo estado.
Durante o encontro, o governador destacou que o volume de recursos públicos aplicados na segurança só se justifica quando gera resultados concretos para a população. Segundo ele, o Piauí investe centenas de milhões de reais em salários, equipamentos, armamentos, viaturas, videomonitoramento e infraestrutura do sistema prisional, recursos provenientes diretamente dos impostos pagos pela sociedade.
De acordo com o governador, se esses investimentos não se traduzissem em redução da violência, a própria estrutura do Estado perderia sentido. Ele ressaltou que a gestão pública precisa ser orientada por indicadores, transparência e prestação de contas, e não por discursos ou promessas vazias. O mesmo critério, afirmou, deve ser aplicado às áreas da saúde e da educação, onde políticas públicas precisam ser avaliadas com base em resultados mensuráveis.
Os números apresentados pelo secretário de Segurança Pública, Chico Lucas, confirmam essa diretriz. Segundo ele, o Piauí registrou, em 2025, o menor número de mortes violentas intencionais dos últimos dez anos. Em 2022, o estado contabilizava 825 mortes desse tipo. Em 2025, o número caiu para 573, uma redução absoluta de 31%. Considerando o crescimento populacional no período, a queda proporcional chega a 33%.
Em Teresina, a redução foi ainda mais significativa. A capital registrou queda de 39% nas mortes violentas intencionais em relação a 2022, alcançando o menor índice dos últimos 15 anos. Os homicídios, especificamente, apresentaram redução de 41% na cidade. No litoral piauiense, região que historicamente concentrava preocupação das autoridades, os dados também mostram avanço, com quedas expressivas e registro de períodos sem ocorrências graves durante eventos de grande fluxo turístico.
Chico Lucas explicou que os resultados são fruto da combinação de diferentes políticas públicas. Para ele, não há solução única para a violência. O secretário destacou que investimentos em educação, saúde e políticas sociais são fundamentais, mas precisam caminhar junto com ações firmes de repressão qualificada. Ele citou a criação e o fortalecimento de unidades especializadas, como o DRACO, além da integração entre Polícia Civil, Polícia Militar e setores de inteligência.
O secretário também chamou atenção para a redução nos casos de latrocínio, considerados crimes de alto impacto social. Segundo ele, o estado registrou o menor número da década nesse tipo de ocorrência, resultado direto do combate ao roubo de celulares e da atuação preventiva das forças de segurança.
Apesar dos avanços, Chico Lucas alertou para desafios que permanecem. Entre eles, a violência no trânsito e os casos de feminicídio. Embora os indicadores gerais tenham apresentado queda, esses dois tipos de morte seguem em patamares preocupantes. O secretário destacou que, no caso do trânsito, ainda há uma cultura de tolerância a comportamentos de risco, o que contribui para números elevados de óbitos, muitas vezes superiores aos causados por crimes violentos.
Segundo ele, a experiência mostra que fiscalização rigorosa, como a realização de blitz, salva vidas, mesmo diante de resistências. O gestor também defendeu mudanças culturais mais amplas, afirmando que educação, respeito às leis e responsabilidade coletiva são essenciais para reduzir mortes no trânsito e outras formas de violência.
Ao final da apresentação, o governador reforçou que a meta do governo é transformar o dinheiro público em benefícios reais para a população, com políticas baseadas em evidências e resultados. Ele destacou que essa cultura de gestão por indicadores começa a se espalhar pelo estado, inclusive entre prefeitos de municípios pequenos, cada vez mais atentos à transparência, à eficiência e ao impacto das políticas públicas.

