
É realidade: Embrapa ganha sinal verde da Anvisa para tratar cannabis sativa como cultura agro comum. Assim, a empresa foca em genética, manejo, rastreabilidade e produtividade, colocando o cânhamo industrial no mesmo patamar de soja ou milho. Por outro lado, com R$ 971 milhões movimentados anualmente em importações medicinais, o Brasil desperdiça uma cadeia produtiva própria.
A Anvisa liberou pesquisas exclusivas em janeiro de 2026, sem comercialização imediata. A partir daí, a Embrapa avança em três frentes principais: conservação genética, agronomia medicinal e pré-melhoramento de cânhamo para fibras e sementes. Além disso, produtos finais ficam restritos a outras instituições autorizadas.
Italo Coelho, pioneiro em habeas corpus desde 2017, vê validação clara nesse movimento. “Isso precisa ser organizado institucionalmente”, afirma ele sobre a transição da judicialização para políticas públicas sólidas. Em contraste, países como China e Canadá já exportam em escala, enquanto o Brasil ainda importa conhecimento técnico.
Produtos que diversificam o campo
A cannabis sativa rende muito além do medicinal. Por exemplo, fibras dos caules viram têxteis resistentes, alimentos, cosméticos, bioindústria e remédios. Da mesma forma, o cânhamo (com THC <0,3%) produz bioplásticos e hempcrete sustentável para construção.
As sementes, ricas em proteínas, alimentam rações animais, enquanto raízes recuperam solos degradados em 28 milhões de hectares de pastagens. No entanto, projeções mostram salto de 27 para 15 mil hectares cultivados assim que a regulação se consolidar. Assim, seu ciclo curto, baixo uso de água e sequestro de 15 t de CO2 por hectare ao ano a tornam aliada perfeita da bioeconomia.
Regiões como o Nordeste e áreas de pastagens degradadas lideram a aptidão natural para o cultivo. Além disso, a Anvisa propõe resoluções para pesquisa, comercial medicinal e sandbox regulatório para associações, com vigência seis meses após publicação no DOU. Por outro lado, o STJ estende o prazo regulatório até 2026, dando fôlego ao setor.
Tabu cede à economia agro
O preconceito ainda trava avanços rápidos, mas os dados falam mais alto. Desta forma, a Embrapa estrutura a base científica necessária para cortar importações bilionárias. Assim, o Brasil decide seu caminho: cultura estratégica inovadora ou perda irreparável de mercado agro?
“A cannabis já é uma realidade. O que falta é o Brasil decidir como vai se posicionar diante disso”, afirma Italo, advogado que antecipou o debate da cannabis no Brasil antes mesmo da regulação.
Com informações de: PORTAL-IG

