Filhotes de arara-vermelha nascem na BA após 200 anos de extintas no bioma

Foto: Cetas Porto Seguro/Ibama

Esta é daquelas notícias que enchem nosso coração de esperança! Após quase 200 anos de extinção da arara-vermelha-grande (Ara chloropterus) na Mata Atlântica, neste mês de abril foi registrado o nascimento dos primeiros filhotes da espécie no sul da Bahia.

Os filhotes são fruto do projeto pioneiro de reintrodução da espécie no bioma, como contamos nesta reportagem. Em 2024, 35 araras-vermelhas foram soltas numa reserva particular do patrimônio natural (RPPN) em Porto Seguro, uma área com 7 mil hectares, que ganhou comedouros e caixas-ninho artificiais para facilitar a adaptação das aves.

Um dos filhotes explorando a mata
Foto: Cetas Porto Seguro/Ibama

O primeiro sinal de que as araras teriam se reproduzido veio de casais que começaram a demonstrar um comportamento de defesa próximo dos ninhos. Tempos depois veio a confirmação: dois filhotes foram avistados voando próximo ao local, e sendo alimentado pelos pais.

Além da celebração com o nascimento, ele é prova também que aves nascidas em cativeiro podem e conseguem sobreviver na vida selvagem. “Registros anteriores já haviam demonstrado a reprodução de papagaios-do-mangue e periquitos-rei na natureza, mesmo sendo oriundos de cativeiro. O comportamento natural pode ser recuperado por meio de treinamento e convivência com outros indivíduos da mesma espécie”, explica Ligia Ilg, analista ambiental do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e coordenadora do projeto.

 

Reabilitação e soltura

 

As araras-vermelhas-grandes que fizeram parte do programa de reintrodução na Bahia, desenvolvido pelo Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) do Ibama, com apoio de diversas entidades, são todas originárias de cativeiro – provenientes de doações de particulares ou apreensões realizadas em ações de combate ao tráfico de animais silvestres em todo o país.

Casal durante o período de desova
Foto: Cetas Porto Seguro/Ibama

Antes de serem reintroduzidas na RPPN Estação Veracel, as aves passaram por um período de quarentena, avaliação clínica e comportamental, e treinamento.

Detalhe das pequenas plumas vermelhas em volta dos olhos da arara-vermelha
Foto: LeonardoRamos, CC BY-SA 4.0 via Wikimedia Commons

Levadas para um recinto no meio da mata, as araras fizeram ali aclimatação, para que só então fosse iniciado o processo chamado de soltura branda, em que que as portas do viveiro foram abertas e elas começassem a explorar o ambiente externo até conquistarem a coragem de alçarem voos mais altos e buscarem um lar definitivo na floresta.

Embora estudos anteriores apontarem que o período para reprodução da espécie possa chegar a cinco anos, em Porto Seguro foi observado que algumas caixas-ninho já estavam ocupadas no primeiro ano após a soltura.

Foram mais de 200 anos de extinção na Bahia

Medindo quase 90 cm de comprimento, a arara-vermelha-grande tem a plumagem vermelha acima da cabeça e no topo das asas. A face, com fundo branco, é decorada por linhas delgadas de penas avermelhadas também, mas a parte média das asas possui tons verdes e os extremos azuis, incluindo a ponta do rabo.

Casal de araras são conhecidos por serem monogâmicos, ou seja, ficam juntos a vida toda
Foto: © Giles Laurent, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons//

Com seus voos longos, essas aves cumprem um importante papel nos ambientes em que vivem. Ao se alimentarem de frutos e sementes, acabam os dispersando pela floresta e contribuindo para a regeneração da flora.

Assim como outras espécies de aves que antes eram avistadas em abundância pelas florestas brasileiras, a arara-vermelha acabou desaparecendo de muitas áreas, vítima da perda de habitat e da caça ilegal.

“Há registros variados da presença de exemplares da espécie no sul da Bahia ao longo do século 20, mas são considerados anedóticos, questionáveis, sem certeza científica,” diz Cid José Teixeira, chefe do Cetas/BA. “Antes da reintrodução em 2024, o último registro reconhecido pela comunidade científica foi feito pelo príncipe Maximiliano de Wied-Neuwied, cujo diário de expedição, realizada em 1815, descrevia a presença dessas aves desde o Rio Mucuri até Salvador.”

Com informações de: conexãoplaneta

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