
A crise administrativa em Bocaina ganhou novos desdobramentos após denúncias de atraso salarial, bloqueios financeiros e suspensão de energia em prédios públicos. O vereador Vando Sampaio afirmou que equipamentos inaugurados pela Prefeitura seguem sem funcionamento por falta de ligação elétrica devido às dívidas acumuladas do município com a concessionária de energia.
Entre os casos citados está o Espaço de Multieventos da cidade, inaugurado em maio de 2023, mas que, segundo o parlamentar, nunca entrou em funcionamento porque a energia elétrica não foi ligada. A mesma situação, conforme o vereador, atinge uma quadra esportiva e o estádio municipal inaugurado em 2024.
De acordo com Vando Sampaio, a Equatorial Piauí não estaria realizando novas ligações em prédios públicos em razão das dívidas da Prefeitura relacionadas ao fornecimento de energia elétrica. O parlamentar afirma que o débito vem sendo acumulado ao longo de diferentes gestões municipais, por meio de parcelamentos que deixaram de ser pagos parcialmente nos últimos anos.
“Quem acaba sendo prejudicada é a população, que deixa de acessar serviços públicos porque o município não paga suas contas”, declarou.

O cenário, segundo ele, também afeta serviços básicos da administração. O parlamentar relatou que, em outubro do ano passado, a sede da Prefeitura ficou cerca de 15 dias sem energia elétrica, comprometendo inclusive o funcionamento do Conselho Tutelar, que operava no prédio.
A gestão municipal enfrenta ainda reclamações relacionadas ao atraso no pagamento de servidores. Segundo o vereador, moradores e funcionários públicos evitam expor críticas publicamente por receio de represálias, devido ao porte reduzido do município e à proximidade entre os moradores.
O vereador também comentou o afastamento do prefeito Guilherme Macedo, informando que a licença encaminhada à Câmara Municipal teria sido motivada por “interesse pessoal”. Atualmente, conforme relatado, a administração está sob responsabilidade do vice-prefeito Naldo Leão.
Na avaliação do parlamentar, a crise é resultado de desequilíbrio financeiro e falhas administrativas.
“É preciso gastar apenas aquilo que o município tem condição de pagar”, afirmou.
Outro problema apontado envolve uma licitação suspensa pelo Tribunal de Contas do Estado do Piauí por suspeitas de irregularidades em contratos relacionados a palco, som e banheiros químicos. Além disso, o vereador informou que contas do município chegaram a ser bloqueadas por ausência de prestação de contas.
Na Câmara Municipal, Vando Sampaio afirma que a oposição possui apenas três vereadores, o que dificulta aprovações de requerimentos e pedidos de investigação. Mesmo assim, segundo ele, uma representação foi encaminhada ao Ministério Público solicitando apuração sobre a situação da energia elétrica nos prédios públicos.

O parlamentar também chamou atenção para o elevado número de contratações temporárias realizadas pela Prefeitura. Segundo ele, órgãos de controle já recomendaram a realização de concurso público ou processo seletivo. De acordo com o vereador, muitos contratos são feitos por períodos de oito a dez meses e renovados posteriormente.
Ao comentar a situação econômica da cidade, o vereador afirmou que o município depende majoritariamente de repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), diante da baixa arrecadação própria.
“Município pequeno vive praticamente de FPM. Não tem grande arrecadação de ISS e o ICMS também é pequeno”, declarou.
