
Um antigo prédio do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), no loteamento Porto Alegre 2, na zona Sul de Teresina, está abandonado há anos e se transformou em um cenário de degradação, insegurança e risco à privacidade da população. No local, documentos com dados pessoais estão espalhados entre lixo, móveis danificados e equipamentos sucateados.
Segundo moradores, o espaço está sem funcionamento há mais de cinco anos e completamente sem vigilância há pelo menos três anos. Nesse período, o imóvel passou a ser alvo de vândalos, que retiraram materiais, depredaram a estrutura e passaram a utilizar o ambiente para consumo de drogas.

A presidente da Associação de Moradores, Maria Antônia Viera, afirma que a comunidade já formalizou pedidos à Secretaria Municipal de Cidadania, Assistência Social e Políticas Integradas, Semcaspi, e à SDU Sul para que o prédio fosse destinado a atividades comunitárias. De acordo com ela, houve promessa de reforma e entrega do espaço até o dia 31 de janeiro, o que não se concretizou. “Hoje isso aqui virou um lixão. E o mais grave é a quantidade de documentos com dados das pessoas jogados. Isso é um crime”, denunciou.
Além do abandono físico, o descarte irregular de documentos amplia a preocupação com a exposição de informações sensíveis de moradores atendidos por unidades de assistência social. Papéis com registros de diferentes atendimentos estão acessíveis em um ambiente sem qualquer controle, o que pode facilitar o uso indevido dessas informações.

O influenciador digital Adryan Ribeiro Magalhães relembra que o espaço já teve papel importante na comunidade. Segundo ele, o local oferecia cursos de informática, projetos sociais e atividades para jovens. “Era um espaço vivo, acessível. Hoje é desperdício de dinheiro público. Poderia estar funcionando como creche ou reforço escolar, mas está largado”, afirmou. Ele também aponta que a ausência de fiscalização contribuiu para que o prédio fosse ocupado por atividades ilícitas.
A empresária Milane Barros, que frequentava o espaço quando funcionava, relata o impacto do abandono. Ela lembra que o local abrigava atividades como dança, teatro, capoeira e cursos diversos voltados à comunidade. “Aqui tinha vida. Hoje está devastado. É triste ver um lugar que ajudou tanta gente ser esquecido assim”, disse.
Moradores cobram providências urgentes do poder público, tanto para garantir a segurança das informações expostas quanto para dar uma nova função ao prédio. O espaço, amplo e localizado em área estratégica, segue deteriorado e sem perspectiva de recuperação, enquanto a comunidade convive com os riscos e a sensação de abandono.
