Campanha mobiliza Teresina para restaurar Igreja do Amparo

Fotos: Renato Bezerra

A Arquidiocese de Teresina lançou a campanha “Um Real pela Memória do Amparo” com o objetivo de arrecadar recursos para concluir a restauração da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Amparo, considerada marco zero da capital piauiense e primeira igreja de Teresina.

Segundo a organização, ainda são necessários cerca de R$ 1,5 milhão para finalizar as obras iniciadas em 2009. A proposta é mobilizar a população para que cada teresinense contribua simbolicamente com pelo menos R$ 1 para preservar um dos mais importantes patrimônios históricos, religiosos e culturais do Piauí.

O lançamento foi conduzido pelo arcebispo de Teresina, Dom Juarez Marques, e pelo pároco da Igreja do Amparo, padre Zé de Pinho. Ambos destacaram o valor histórico da matriz, criada em 5 de setembro de 1827, antes mesmo da fundação oficial de Teresina.

Além de ser considerada o coração histórico da cidade, a igreja mantém intensa participação popular, com missas, ações pastorais e forte ligação afetiva com gerações de teresinenses.

Dom Juarez afirmou que a campanha representa mais do que uma arrecadação financeira e simboliza um gesto de pertencimento e preservação da memória coletiva da capital.

“A Igreja do Amparo faz parte da identidade de Teresina. A cidade nasceu ao redor dela, sob a proteção de Nossa Senhora do Amparo. Qualquer contribuição vale muito, porque o importante é participar”, declarou o arcebispo.

O padre Zé de Pinho explicou que a iniciativa foi inspirada em uma contribuição feita por Dom Pedro II durante a construção original da matriz. A proposta atual é que cada teresinense doe pelo menos R$ 1 para colaborar com a conclusão da reforma.

“Todo teresinense é filho do Amparo. Essa igreja é a primeira edificação civil e religiosa da cidade, um patrimônio espiritual, histórico e afetivo”, afirmou.

O pároco da Igreja do Amparo, padre Zé de Pinho, afirmou que o padre Mamede teve papel decisivo na escolha do atual local da igreja, em uma área considerada mais segura contra enchentes que atingiam a antiga Vila do Poti.

Padre Zé de Pinho também destacou que a Igreja do Amparo permanece como uma das mais frequentadas da capital, com três missas aos domingos, intensa participação popular e manutenção sustentada principalmente pelos próprios fiéis, por meio de dízimos e ofertas.

O sacerdote ressaltou ainda que a restauração inclui a revitalização de espaços históricos importantes da igreja.

Entre eles estão a Capela dos Bispos, que reunirá afrescos dos bispos de Teresina e documentos ligados à criação da Diocese, e a Capela dos Papas, que contará com representações dos pontífices desde Leão XII, papa da época da criação da paróquia, até o atual líder da Igreja Católica.

O professor, historiador e presidente da Academia Piauiense de Letras, Fonseca Neto, destacou que a história da Igreja do Amparo se confunde com a própria origem de Teresina.

“A Matriz do Amparo é o coração histórico da cidade. Revitalizar essa igreja é também recuperar a memória e o sentimento de pertencimento do povo teresinense”, pontuou.

Ele lembrou ainda que o ato inaugural de Teresina, em 25 de dezembro de 1850, esteve ligado à inauguração da primeira capela que antecedeu a atual matriz.

Segundo Fonseca Neto, a construção da igreja envolveu o esforço coletivo da população do antigo Poti e simboliza a convergência entre fé, política e formação urbana da capital.

Representando o Governo do Estado, a secretária de Relações Sociais, Núbia Lopes, afirmou que a revitalização da igreja integra o projeto de recuperação do centro histórico da capital.

“A Igreja do Amparo é um cartão-postal de Teresina. Preservar esse patrimônio significa preservar a memória coletiva e fortalecer o centro da cidade como espaço de convivência, fé e cultura”, disse.

O publicitário Matheus Fernandes ressaltou que a campanha busca reconectar os teresinenses com suas origens e identidade cultural.

“A restauração não é apenas física. Ela resgata a identidade de Teresina e o orgulho de pertencermos a essa história”, declarou.

Já o padre Tony Batista afirmou que a mobilização busca combater o esquecimento histórico e fortalecer o sentimento de pertencimento da população.

“O dinheiro é acessório. O essencial é o resgate da memória e do pertencimento. O Amparo é um oásis no coração de Teresina”, afirmou.

A campanha disponibilizou diferentes formas de contribuição, incluindo doações presenciais na secretaria da igreja, transferências bancárias e pagamentos por QR Code divulgado pela Arquidiocese de Teresina.

Participaram ainda da solenidade políticos, padres, secretários estaduais e outras autoridades religiosas e civis.

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