Brasil segue fora do mapa da fome, mas 1,2 milhão ainda sofre insegurança alimentar severa

Brasil continua fora do Mapa da Fome, aponta relatório da ONU

O Brasil mantém-se fora do Mapa da Fome, um indicativo positivo de que a proporção de sua população vivenciando subnutrição está abaixo do limite de 2,5% estabelecido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO-ONU). Essa meta foi confirmada no período de 2023-2025, conforme divulgado no relatório “O Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo 2026” (SOFI).

O país já havia alcançado essa marca anteriormente em 2013 e novamente em 2025, com base em dados de 2022-2024. No entanto, o mesmo relatório aponta que, entre 2020 e 2022, 3,5% dos brasileiros enfrentavam fome.

Os dados foram apresentados em Roma, na sede da FAO, pela ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), Fernanda Machiaveli, que destacou: “Esses resultados nos lembram que a fome não é inevitável. Quando os governos priorizam o combate à fome, à pobreza e à desigualdade, é possível alcançar avanços concretos”.

José Graziano da Silva, fundador do Instituto Fome Zero (IFZ) e ex-diretor-geral da FAO, também celebrou o progresso, afirmando que o indicador de subalimentação no Brasil está abaixo de 2,5%. O índice oficial da FAO, conhecido como Prevalência de Subnutrição (PoU), estima a parcela da população sem acesso calórico diário suficiente para uma vida saudável.

O relatório SOFI-2026, elaborado em conjunto pela FAO, FIDA, OMS, PMA e Unicef, sugere que o Brasil pode ter números ainda melhores. Graziano estima que a subalimentação atual no país gire em torno de 0,6% a 0,7%. Contudo, o documento também revela que 0,6% da população brasileira, o que equivale a 1,2 milhão de pessoas, ainda vive em condição de insegurança alimentar severa, o menor patamar histórico, mas ainda preocupante.

A insegurança alimentar severa implica em ficar sem alimentos, passar fome e, em casos extremos, ficar um dia ou mais sem comer, colocando saúde e bem-estar em risco. Paralelamente, a insegurança alimentar moderada ou grave afeta 9,6% dos brasileiros (20,3 milhões de pessoas) no triênio 2023-2025, uma redução em relação aos períodos anteriores. A ministra Machiaveli ressaltou a importância de uma abordagem integrada, que inclua aumento de renda, acesso a alimentos saudáveis e substituição de ultraprocessados, para garantir que os avanços se consolidem.

A ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), Fernanda Machiaveli, discursa durante o lançamento do relatório O Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo, na sede da FAO, em Roma – Foto: FAO/Giuseppe Carotenuto
José Graziano da Silva, fundador do Instituto Fome Zero e ex-diretor-geral da FAO – Foto: Arquivo pessoal

Com informações de: AGBR

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