
O Brasil alcançou em 2024 o maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da sua história e passou, pela primeira vez, a integrar o grupo de países classificados com muito alto desenvolvimento humano. O resultado foi divulgado nesta terça-feira (26) pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e teve o Bolsa Família apontado como uma das políticas públicas decisivas para o avanço registrado pelo país.
De acordo com o relatório, o índice brasileiro chegou a 0,805 em uma escala que varia de zero a um. O número supera o patamar de 0,800, referência internacional para países com elevado nível de desenvolvimento humano, e confirma uma trajetória de crescimento nos indicadores de educação, renda e longevidade.
Entre os destaques apresentados pelo PNUD está a evolução da educação, que passou de 0,679 em 2012 para 0,798 em 2024. A avaliação aponta que o Bolsa Família teve papel relevante nesse resultado ao associar a transferência de renda à exigência de frequência escolar mínima e ao acompanhamento das famílias em áreas essenciais como saúde e nutrição.
A economista Betina Barbosa, coordenadora da Unidade de Desenvolvimento Humano do escritório do PNUD no Brasil, destacou que o programa tem impacto direto na permanência de crianças e adolescentes na escola e na interrupção de ciclos históricos de vulnerabilidade.
“O programa Bolsa Família retira uma quantidade enorme de crianças do mundo do trabalho e dá a elas a condição da escola”, afirmou.
Na prática, estudantes entre quatro e 17 anos precisam comprovar matrícula e frequência regular na rede de ensino. A exigência varia conforme a faixa etária: 60% de presença escolar para crianças de quatro a seis anos incompletos e 75% para crianças e adolescentes até 18 anos que ainda não concluíram a educação básica. Na área da saúde, o programa também prevê vacinação em dia, acompanhamento nutricional de crianças menores de sete anos e pré-natal para gestantes.
Estudos reunidos pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social apontam que cerca de 70% dos adolescentes deixaram o programa ao longo da última década com aumento da escolaridade e maior inserção no mercado formal de trabalho. Outro levantamento mostra que o Bolsa Família reduziu em 91,7% a pobreza na primeira infância e contribuiu para evitar que milhões de crianças de zero a seis anos permanecessem em situação de vulnerabilidade social.
O relatório também destaca a redução das desigualdades sociais e raciais. Entre 2012 e 2024, o IDH da população negra cresceu 10,3%, quase o dobro do avanço registrado entre a população branca. As regiões Norte e Nordeste também apresentaram crescimento relativo acima da média nacional.
Durante a apresentação do levantamento em Brasília, o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias, afirmou que o resultado reflete a continuidade de políticas públicas de combate à pobreza e de inclusão social.
“Hoje é mais um dia para comemorarmos os avanços do nosso país. O IDH mostra que crescemos no nível econômico e reduzimos as desigualdades sociais. O Brasil tem experiência em tirar as pessoas da fome e da pobreza”, declarou.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também comemorou o resultado e afirmou que o novo patamar alcançado pelo país representa o reflexo de decisões políticas voltadas ao fortalecimento da educação, da proteção social e da geração de oportunidades.
O levantamento do PNUD reforça que, além do crescimento econômico, o avanço do Brasil no IDH está ligado à melhoria nas condições de vida da população, ao acesso à educação e à ampliação de políticas públicas voltadas à redução das desigualdades.
