Bandos de andorinhas chamam atenção em Teresina no início de junho e indicam movimento sazonal das aves

Andorinhas chamaram atenção próximo à Avenida Homero Castelo Branco, na zona Leste de Teresina.

A presença de grandes bandos de Andorinha tem chamado a atenção de moradores de Teresina neste início de junho. A movimentação intensa no céu, registrada em diferentes pontos da capital, coincide com um período conhecido pelos especialistas como deslocamento sazonal, quando as aves passam a circular com maior frequência em busca de alimento e de condições climáticas mais favoráveis.

Entre as espécies mais comuns observadas em áreas urbanas do Piauí está a andorinha-pequena-de-casa (Pygochelidon cyanoleuca), ave da família Hirundinidae amplamente distribuída pela América Latina e bastante adaptada ao ambiente urbano. Ela mede entre 11 e 12 centímetros, pesa cerca de 10 gramas e se destaca pelo dorso azul-escuro metálico, peito branco e asas longas e pontiagudas, próprias para voos rápidos e mudanças bruscas de direção.  

Em Teresina, a paisagem favorece esse comportamento. O calor persistente, a proximidade dos rios Parnaíba e Poti e a maior presença de insetos no período ajudam a atrair as aves, que se alimentam em pleno voo. É comum vê-las em grupos sobrevoando avenidas, praças, áreas abertas e redes elétricas, especialmente no fim da tarde.

Pesquisas sobre aves migratórias também apontam o Piauí como área estratégica para deslocamento e permanência temporária de diferentes espécies, principalmente na faixa de transição entre Cerrado e Caatinga. Em muitos casos, as andorinhas utilizam esses territórios como ponto de descanso, alimentação e reorganização dos bandos antes de seguir viagem.  

Outro comportamento característico é o voo sincronizado. Ao se movimentarem em grandes grupos, as andorinhas conseguem melhorar a orientação do bando, reduzir a exposição a predadores e aproveitar melhor as correntes de ar, o que ajuda a economizar energia.

Além do impacto visual, a presença dessas aves tem relevância ambiental: elas auxiliam no controle natural de insetos e funcionam como indicadoras das mudanças de temperatura e das condições do ecossistema.

Em Teresina, a revoada registrada neste primeiro dia de junho transformou o céu da capital em um espetáculo raro e marcante, um daqueles sinais discretos e precisos de que a natureza também acompanha seu próprio calendário.

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