Arquidiocese de Teresina alerta contra compra de votos e uso da Igreja nas eleições

Às vésperas do primeiro turno das Eleições 2026, a Arquidiocese de Teresina divulgou uma carta na qual orienta fiéis a rejeitarem a compra de votos, a desinformação e as rivalidades políticas. O documento também reforça que o nome da Igreja, das paróquias e das comunidades religiosas não deve ser usado para apoiar partidos ou candidatos.

A carta foi assinada pelos vigários-gerais, padres Amadeu Matias e Osório Teixeira Neto, e divulgada na segunda-feira (28). No texto, eles afirmam que o período eleitoral deve servir para o fortalecimento da democracia e para o exercício livre e responsável do voto.

“A Igreja Católica não tem partido político, nem candidato, mas ela é uma voz política. Seu lado é o do Evangelho de Jesus Cristo, vida plena para todos”, diz um trecho do documento.

A orientação não afasta a participação dos católicos no debate público. Pelo contrário, a Arquidiocese destaca que os leigos podem atuar na política, desde que não falem em nome da instituição, de uma paróquia ou de uma comunidade religiosa para indicar determinada candidatura.

O documento também chama a atenção para a necessidade de conhecer a trajetória dos candidatos e não basear a escolha apenas em informações divulgadas nas redes sociais. Segundo a carta, conteúdos falsos têm sido utilizados para espalhar mentiras durante o processo eleitoral.

A recomendação é que os eleitores avaliem o compromisso dos candidatos com políticas públicas voltadas à população mais pobre e com a preservação do meio ambiente. A participação cidadã, conforme o texto, não termina nas urnas e deve incluir o acompanhamento das ações dos representantes eleitos.

Outro ponto abordado é a compra e a venda de votos. A Arquidiocese afirma que a prática, além de comprometer a liberdade de escolha, representa corrupção e constitui crime. O texto também pede que o período eleitoral não seja transformado em espaço para disputas pessoais, intolerância ou busca pelo poder.

Ao tratar da atuação religiosa, a carta diferencia as responsabilidades do clero e dos fiéis leigos. Aos ministros ordenados, recomenda que não intervenham diretamente na organização partidária. Aos leigos, reconhece a missão de participar da vida pública e contribuir para a construção da paz, da justiça e do bem comum.

A carta termina com uma reflexão sobre o exercício do poder, apresentado não como um fim, mas como um instrumento a serviço da sociedade. Para a Arquidiocese, a democracia depende do respeito à dignidade humana e pode ser enfraquecida quando passa a atender apenas aos interesses de grupos econômicos e tecnológicos.

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