
14 de agosto, Dia Nacional do Animal Abandonado
No Brasil, um contingente alarmante de aproximadamente 30 milhões de cães e gatos vive em condições de abandono. Essa realidade ganha destaque no Dia Nacional do Animal Abandonado, celebrado em 14 de agosto, data voltada para a conscientização sobre a posse responsável e os graves impactos do descaso para os próprios animais, a saúde pública e o meio ambiente.
Estima-se que 20 milhões sejam cães e 10 milhões, gatos, a maioria concentrada em centros urbanos, onde enfrentam fome, sede, doenças, riscos de atropelamento, maus-tratos e a reprodução descontrolada.
O médico-veterinário Francis Flosi, diretor-geral da Qualittas, ressalta que o abandono transcende a questão animal, configurando-se como um problema de saúde pública.
“Um animal abandonado não é apenas uma vítima. Ele se torna um vetor de riscos, enfrentando privações e, ao mesmo tempo, aumentando a probabilidade de acidentes, transmissão de zoonoses e proliferação descontrolada”, explica Flosi.
Períodos como férias, mudanças de residência, separações familiares e crises econômicas são frequentemente associados ao aumento desses casos, assim como a aquisição impulsiva de animais, que muitas vezes é seguida pelo abandono quando surgem despesas ou dificuldades de manejo.
A guarda de um animal demanda um compromisso de longo prazo, que pode se estender por 12 a 18 anos. “Antes de adotar, é crucial avaliar se a família possui as condições emocionais, financeiras e de tempo necessárias para garantir o bem-estar do animal por toda a sua vida”, aconselha o veterinário.
A falta de cuidados veterinários, vacinação e vermifugação em animais abandonados eleva o risco de doenças como leishmaniose, raiva e leptospirose, que podem afetar também a população humana.
A castração é apontada como uma ferramenta fundamental para controlar a reprodução descontrolada, e programas públicos de castração gratuita existem em diversos municípios, embora Flosi reforce que a medida deve ser parte de uma estratégia mais ampla, que inclua educação e conscientização.
O abandono é classificado como crime pela Lei Federal nº 14.064/2020, com penas que podem chegar a cinco anos de reclusão, além de multa, reforçando a necessidade de uma abordagem coletiva e educativa para combater essa prática.
Com informações de: PORTAL-IG
