
A Federação União Progressista perdeu dois candidatos no Piauí a menos de duas semanas das eleições. Depois da renúncia de Gyselle Cajuína (PP) à disputa pela Câmara dos Deputados, Francisco das Chagas Costa Oliveira, conhecido como Quem Quem (União Brasil), deixou a corrida por uma vaga na Assembleia Legislativa. Juntas, as duas campanhas declararam mais de R$ 1 milhão em receitas.
Dados do DivulgaCandContas, do Tribunal Superior Eleitoral, mostram que as candidaturas receberam R$ 1.067.511,34. Desse total, R$ 534.629,04 já haviam sido declarados como despesas eleitorais antes das desistências.
Quem Quem recebeu R$ 172.335,67 dos diretórios nacionais do União Brasil e do Progressistas. Até a última atualização, a campanha havia informado R$ 15 mil em gastos.
O pedido de renúncia foi protocolado no dia 21 de setembro e homologado nesta quinta-feira (24) pelo Tribunal Regional Eleitoral do Piauí. O candidato compareceu pessoalmente à Secretaria Judiciária do tribunal e assinou o documento na presença de uma servidora da Justiça Eleitoral.
A decisão foi assinada pelo desembargador Olimpio José Passos Galvão, que determinou a atualização da candidatura no sistema eleitoral e a comunicação à Federação União Progressista. O registro de Quem Quem, que concorria com o número 44700, passou a constar como inapto por renúncia.
A decisão judicial não apresenta os motivos que levaram o candidato a abandonar a disputa. A renúncia foi formalizada como voluntária e definitiva.
Dois dias antes, o TRE-PI havia homologado a saída de Gyselle Cajuína. Candidata a deputada federal pelo Progressistas, ela declarou R$ 895.175,67 em receitas e R$ 519.629,04 em despesas.
Em publicação nas redes sociais, Gyselle afirmou que decidiu deixar a disputa para cuidar da saúde mental. Ela relatou enfrentar um quadro de depressão e informou que precisava priorizar o tratamento.
Embora pertencessem à mesma federação, as duas candidaturas integravam listas diferentes. Gyselle disputava uma vaga na Câmara dos Deputados, enquanto Quem Quem concorria à Assembleia Legislativa. As saídas atingem os dois partidos que formam a União Progressista e reduzem o número de candidatos na reta final da campanha.
As vagas não poderão ser preenchidas por novos nomes. Pelas regras eleitorais, os pedidos de substituição por renúncia precisam ser apresentados até 20 dias antes do primeiro turno. Como a eleição será realizada em 4 de outubro, o prazo terminou no dia 14 de setembro. Depois dessa data, a substituição somente é admitida em caso de falecimento.
Caso os nomes e as fotografias dos ex-candidatos ainda apareçam nas urnas eletrônicas, os votos digitados nos respectivos números serão considerados nulos. Eles não serão transferidos para outros candidatos nem entrarão no cálculo de votos da federação.
A renúncia também não encerra as obrigações financeiras das campanhas. Os dois ex-candidatos deverão apresentar à Justiça Eleitoral a prestação de contas com as receitas, despesas, contratos e eventuais dívidas assumidas durante o período eleitoral.
A diferença provisória entre o que as duas campanhas receberam e o que declararam como gasto é de R$ 532.882,30. O valor não representa necessariamente a sobra definitiva, pois os dados ainda podem ser atualizados e despesas contratadas podem ser informadas posteriormente.
Ao final da prestação de contas, os recursos não utilizados do Fundo Especial de Financiamento de Campanha deverão ser devolvidos ao Tesouro Nacional. Sobras provenientes do Fundo Partidário ou de recursos privados devem ser transferidas ao diretório partidário correspondente. A regularidade dos gastos realizados será analisada pela Justiça Eleitoral.
As duas renúncias fazem parte de um cenário mais amplo no estado. Dados do TSE já apontavam pelo menos 17 candidaturas com desistências ou renúncias homologadas no Piauí. O caso de Quem Quem representa a segunda baixa recente da Federação União Progressista na reta final da campanha.
