
A Universidade Federal do Piauí (UFPI) abriu uma investigação para apurar uma denúncia de transfobia contra uma estudante trans dentro do campus Ministro Petrônio Portella, em Teresina. O caso teria ocorrido no dia 2 de setembro, no banheiro feminino do Centro de Ciências Humanas e Letras (CCHL), na zona Leste da capital.
Segundo o relato divulgado pelo Centro Acadêmico de História (CAHIS), duas estudantes, que não foram identificadas, teriam feito comentários em voz alta questionando a presença da aluna trans no banheiro feminino. Ainda de acordo com a denúncia, uma delas teria mencionado a lei municipal de Teresina que restringe o uso de banheiros femininos por mulheres trans.
O episódio teria ocorrido por volta das 16h40, quando a estudante se preparava para as aulas do período noturno. O CAHIS afirmou que as duas mulheres seriam possivelmente estudantes de mestrado, mas a informação não foi confirmada pela universidade.
Em nota, a UFPI e o CCHL repudiaram o episódio e informaram que estão adotando as medidas necessárias para apurar os fatos e encaminhar o caso às instâncias competentes.
A universidade destacou que não admite condutas que atentem contra a dignidade, a integridade e os direitos de integrantes da comunidade acadêmica. A instituição também reforçou o compromisso com uma universidade pública, democrática, inclusiva, acessível e segura.
A UFPI informou ainda que mantém ações de prevenção e combate a crimes de ódio dentro da instituição, por meio de portarias, campanhas e divulgação de canais para registro de denúncias.
A UFPI divulgou nota repudiando o fato e comunicando a abertura de processo de investigação. A Comunicação da UFPI informou que a instituição tem mobilizado campanha contra o crime de ódio nas dependências da universidade com portarias, campanhas preventivas e informando os canais de denúncias.
A Universidade Federal do Piauí (UFPI) e o Centro de Ciências Humanas e Letras (CCHL) repudiam veementemente o episódio relatado pelo Centro Acadêmico de História envolvendo uma estudante do curso, ocorrido nas dependências do Campus Ministro Petrônio Portella.
A UFPI não admite qualquer conduta que atente contra a dignidade, a integridade e os direitos de integrantes de sua comunidade. A Universidade é espaço de formação, conhecimento, convivência democrática e respeito, princípios que devem orientar as relações em todos os seus ambientes.
Diante do relato, a UFPI e o CCHL estão adotando as providências necessárias para a apuração dos fatos e o adequado encaminhamento da situação, no âmbito de suas competências e em observância aos procedimentos institucionais e às garantias legais. Eventuais responsabilidades serão tratadas pelas instâncias competentes, com a seriedade e a firmeza que o caso exige.
A Universidade reforça a importância da utilização dos canais institucionais para o registro de ocorrências dessa natureza, possibilitando o acolhimento, a apuração e os encaminhamentos necessários.
A UFPI reafirma seu compromisso com uma universidade pública, democrática, inclusiva, acessível e segura, na qual o respeito à dignidade humana constitua princípio inegociável.
Universidade Federal do Piauí – UFPI
Centro de Ciências Humanas e Letras – CCHL
O Centro Acadêmico de História da UFPI (CAHIS) divulgou também nota de repúdio contra o crime.
Veja nota de repúdio do CAHIS
O Centro Acadêmico de História da UFPI vem a público expressar seu repúdio veemente ao caso de transfobia sofrido por uma estudante travesti do nosso curso dentro do campus Petrônio Portella, e se solidarizar integralmente com ela.
Na última semana dia 02/09/2026 às 16:40h, ao utilizar o banheiro feminino da pós-graduação do CCHL para se preparar para as aulas do turno da noite, nossa colega foi alvo de uma violência deliberada: duas estudantes, possivelmente do mestrado, ao perceberam sua presença, passaram a sussurrar entre si e, no momento de saírem, uma delas disse em voz alta “eu pensei que tinha sido proibido trans de entrar em banheiro feminino.”
Isso é transfobia. Não foi um comentário inocente. Foi uma violência calculada, usada como arma para humilhar, intimidar e expulsar simbolicamente uma mulher trans do espaço que é dela por direito.
Precisamos nomear também o que está por trás desse episódio: a lei municipal de Teresina que proíbe mulheres trans de utilizarem banheiros femininos, é inconstitucional, desumana e perigosa. Ela não protege ninguém, ela legitima exatamente esse tipo de comportamento. Ela dá às transfóbicas uma frase pronta, uma justificativa legal para exercerem violência contra mulheres trans dentro de qualquer espaço público, inclusive dentro da universidade.
É revoltante que pessoas com acesso ao ensino superior, em formação acadêmica avançada, reproduzam esse tipo de violência. A ignorância escolhida é ainda mais grave do que a ignorância imposta. Quem estuda, quem tem acesso à informação e ainda assim escolhe humilhar uma colega travesti não merece proteção institucional, merece responsabilização.
O CA de História reafirma: mulheres trans e travestis são mulheres. O banheiro feminino é delas. A universidade pública é delas. O curso de história é delas. E nenhuma lei municipal transfóbica, nenhum sussurro covarde de corredor vai mudar isso.
Fora transfobia!
