Trabalhador piauiense critica proposta de trabalho por hora

Antonio Empreiteiro do Piauí.

O aposentado Antonio, conhecido como Empreiteiro do Piauí, criticou a proposta de trabalho por hora defendida pelo senador Rogério Marinho (PL-RN) e questionou a possibilidade de empregados negociarem diretamente com os patrões. Aos 70 anos e oito meses, ele afirma receber aposentadoria de um salário mínimo após décadas de atuação na construção civil.

Segundo Antonio, a distância entre trabalhadores e donos das empresas dificulta a negociação individual. Ele relata que recebia os salários em envelopes, sem contato com os empregadores, e afirma que essa situação permaneceu com os pagamentos por transferência bancária. Para o aposentado, a proposta desconsidera essa realidade.

As críticas também alcançam as reformas da Previdência. Antonio associa as mudanças à aposentadoria limitada ao piso, apesar de afirmar que contribuiu sobre valores superiores ao salário mínimo. Segundo ele, o Bolsa Família recebido pela esposa é necessário para complementar a renda e cobrir as despesas da família, que inclui dois filhos.

No depoimento, o trabalhador manifesta oposição à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) e critica a atuação da família Bolsonaro. Ele afirma temer novas perdas de direitos trabalhistas e previdenciários e avalia que uma eventual vitória de Flávio seria prejudicial ao país.

A proposta de Marinho consta da PEC 12/2026, que prevê a escolha entre o regime comum da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e um modelo flexível por horas trabalhadas. Nesse regime, remuneração, férias, 13º salário e FGTS seriam proporcionais à jornada, e o contrato individual prevaleceria sobre acordos coletivos. Segundo a Agência Senado, o parlamentar sustenta que a medida ampliaria a liberdade e a autonomia do trabalhador para definir sua carga horária.

Antonio afirma ter mais de 40 registros em carteiras de trabalho e relata atuação, desde 1979, em empreendimentos como a Casa da Moeda, no Rio de Janeiro, o Banco do Nordeste, em Fortaleza, e a Ferrovia dos Carajás, no Pará. Também menciona trabalhos para Camargo Corrêa, CBPO e Odebrecht, em funções como armação de ferragens, carpintaria e condução de veículos.

O aposentado conta ainda que adquiriu a moradia pelo Minha Casa, Minha Vida durante o governo Dilma Rousseff. Ao citar os programas sociais, destaca a importância dessas políticas para manter a família.

Ao final, Antonio faz um apelo aos trabalhadores e à juventude para que acompanhem o debate sobre mudanças nas regras trabalhistas e previdenciárias. Ele pede o compartilhamento do depoimento e apresenta sua trajetória profissional como fundamento das críticas.

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